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Chuvas em Minas Gerais param operações da Vale, Usiminas, Vallourec e CSN

Do UOL, em São Paulo*

10/01/2022 10h33Atualizada em 10/01/2022 14h47

Chuvas intensas que atingem Minas Gerais paralisaram operações da Vale, Usiminas, CSN e interditaram a mina de minério de ferro Pau Branco, da francesa Vallourec, deixando em alerta companhias e comunidades no importante estado para o setor de mineração no país.

A interdição da mina Pau Branco, em Nova Lima (MG), após o transbordamento de um dique, levantou ainda preocupações sobre um endurecimento de regras para o setor de mineração, que foi atingido por dois grandes desastres mortais devido a quedas de barragens de rejeitos de minério de ferro, nos últimos anos.

"Vemos a notícia como potencialmente negativa para todo o setor, já que pode resultar em novas regulamentações que derivem suspensões de operações existentes ou atrasos em novos projetos", disse a XP Investimentos em nota.

Vale, CSN e Usiminas reportaram paralisações hoje, o que impactou negativamente as ações das companhias.

No caso da Vale, a mineradora disse que paralisou parcialmente a produção dos Sistemas Sudeste e Sul "visando garantir a segurança dos seus empregados e comunidades", em razão do nível elevado de chuvas que atingem Minas Gerais.

Segundo comunicado, a circulação de trens na EFVM (Estrada de Ferro Vitória a Minas) foi afetada.

Apesar da paralisação, a Vale manteve sua meta de produção de 320 milhões a 335 milhões de toneladas de minério de ferro para 2022, com a companhia citando que o Sistema Norte segue operando conforme os planos, que consideram o impacto sazonal do período chuvoso em todas as operações.

Segundo a Vale, no Sistema Sudeste, a EFVM foi paralisada no trecho Rio Piracicaba-João Monlevade, impedindo o escoamento do material da mina de Brucutu e no complexo de Mariana, "que estão com a produção suspensa".

O trecho Desembargador Drummond-Nova Era também está paralisado, mas em fase de liberação e não afetou a produção do Complexo de Itabira.

No Sistema Sul, a produção de todos os complexos está temporariamente paralisada, em função da interdição de trechos das rodovias BR-040 e MG-030 e da segurança de circulação de empregados e terceiros.

Parte da BR-040 foi interditada no final de semana após o transbordamento de um dique de contenção de água da mina Pau Branco, da Vallourec, o que levou a ANM (Agência Nacional de Mineração) a interditar as operações.

Hoje, a Vallourec informou que o tráfego de veículos havia sido liberado nos dois sentidos da BR-040.

A companhia francesa disse ainda que a ANM autorizou a reclassificação do nível de emergência do dique de 3 para 2, um patamar de menor risco.

A Justiça de Minas Gerais decidiu impor à fabricante de tubos Vallourec, responsável pelo dique, uma série de medidas para conter os danos do transbordamento.

A decisão judicial suspende as atividades da Vallourec no local, bloqueia R$ 1 bilhão da empresa e a obriga a tomar providências "para conter os danos ambientais e sociais" causados pelo vazamento.

A Vale, por sua vez, disse que "não houve alteração do nível de emergência em nenhuma de suas estruturas, que são acompanhadas permanentemente por inspeções, manutenções, radares, estações robóticas, câmeras de vídeo e instrumentos, como piezômetros manuais e automáticos".

A preocupação com barragens no estado ocorre após dois desastres mortais nos últimos anos. O rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, da Vale, deixou 270 mortos em Brumadinho, em 2019. Entre as vítimas estão funcionários da Vale, moradores da região, e trabalhadores e pessoas que visitavam uma pousada nas imediações.

Em 2015, houve o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, da Samarco, que deixou 19 vítimas e também um desastre socioambiental de grandes proporções.

As chuvas devem seguir intensas nesta semana na maior parte de Minas Gerais, de acordo com informações meteorológicas da Refinitiv. Até o dia 15, as precipitações devem ficar acima da média nas regiões centrais, oeste, noroeste e do Triângulo Mineiro, entre outras.

Musa

Já a Musa (Mineração Usiminas), controlada da companhia siderúrgica, também teve suas operações temporariamente paralisadas em função de chuvas intensas na região de Itatiaiuçu (MG).

Além disso, a companhia informou que foi acionado no sábado o nível 1 do PAEBM (Plano de Ação de Emergência de Barragens da Mineração) para sua Barragem Central, desativada desde 2014. Essa condição significa um estado inicial de alerta e não representa comprometimento dos fatores de segurança.

A região da barragem do Carioca, da usina hidrelétrica de propriedade da Companhia de Tecidos Santanense, localizada no município de Pará de Minas, também está em alerta, segundo autoridades.

"Essa barragem passou por evento de cheia, diante das fortes chuvas que atingem o Estado de Minas Gerais", disse a reguladora Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Preventivamente, a Defesa Civil retirou do local dezenas de pessoas que estavam em áreas de risco, segundo nota do governo de Minas Gerais.

CSN

A CSN anunciou hoje a suspensão das operações da mina de minério de ferro Casa de Pedra, em Congonhas (MG), em virtude das fortes chuvas que têm atingido a região nos últimos dias.

A companhia afirmou que as operações de extração e movimentação foram "temporariamente suspensas com expectativa de retorno das atividades nesses próximos dias".

A empresa também afirmou que suspendeu operações de exportação de minério de ferro no terminal de carvão de seu porto em Itaguaí (RJ) "em virtude do alto grau de umidade verificado no local".

145 cidades em situação de emergência

Subiu para 145 o número de cidades que decretaram situação de emergência em razão das fortes chuvas que atingem Minas Gerais. Considerando as dez mortes provocadas pela queda de uma rocha em Capitólio, já são 19 óbitos desde outubro, início do período chuvoso no estado.

Ao todo, 13.734 pessoas estão desalojadas e há 3.409 desabrigados —35 a mais que no último boletim divulgado pela Defesa Civil. Nos dois casos, são pessoas que tiveram de deixar suas casas, mas são considerados desabrigados aqueles que precisam de assistência do governo para moradia temporária.

Zema: mineração perderá importância na economia

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) apontou que a mineração, atividade que, em suas palavras, causa danos ao meio ambiente, tende a ter um peso menor para a economia do estado daqui em diante. "Outras atividades, que agridem menos o meio ambiente, estão crescendo e fazendo com que a mineração não seja tão preponderante", disse, em entrevista à CNN Brasil.

O governador lembra que Minas tem lei aprovada em 2021 que prevê que mais de 50 barragens sejam descomissionadas. "A retirada desse material não se faz rapidamente. Tem mineradoras que estão com trabalhos adiantados, mas isso não se faz de um dia para o outro", disse.

Zema afirma que os técnicos do estado e a Agência Nacional de Mineração monitoram barragens em risco e que regiões com possibilidade de vazamentos já tiveram a área evacuada antes do período de chuvas. "Temos acompanhado hora a hora a situação das barragens do Estado. Esperamos que a tragédia de Mariana e Brumadinho nunca mais volte a acontecer."

* Com Reuters e Estadão Conteúdo

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