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Putin diz que Rússia não aceitará vender petróleo e gás em dólar e euro

Do UOL, em São Paulo*

23/03/2022 10h58Atualizada em 23/03/2022 11h08

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou hoje que a Rússia deixará de aceitar pagamentos em dólares ou euros pelo fornecimento de petróleo e gás à União Europeia e aos Estados Unidos e deu às autoridades russas uma semana para aplicar o novo sistema em rublos. Ele se referiu aos integrantes do bloco e aos EUA como "países hostis".

"Tomei a decisão de aplicar um conjunto de medidas para passar para o pagamento em rublos do nosso gás fornecido a países hostis", disse o presidente russo em uma reunião ministerial. Segundo Putin, a medida foi tomada como forma de reagir ao congelamento de ativos russos por parte dos países ocidentais.

Os países ocidentais congelaram quase 300 bilhões de dólares de reservas russas no exterior. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou hoje que a medida é um "roubo".

"Não faz sentido para nós vendermos nossos bens à União Europeia e os Estados Unidos e recebermos os pagamentos em dólar, euro e várias outras moedas", acrescentou o presidente da Rússia.

Apesar da mudança, Putin afirmou que as entregas continuarão de acordo com os volumes e preços estipulados nos contratos. A nova norma será enviada à empresa Gazprom, estatal russa que é a maior exportadora do mundo de gás natural.

Desde o início da guerra com a Ucrânia, dezenas de países começaram a aplicar sanções contra a Rússia com o objetivo de enfraquecê-la militarmente. O governo russo tem chamado essas medidas de uma "guerra econômica" como nenhuma outra vista antes.

Com a economia sentindo fortemente esses impactos, sobretudo com a desvalorização do rublo, o Banco da Rússia está tomando medidas para estabilizar a situação no mercado de câmbio.

Como o primeiro-ministro Mikhail Mishustin disse anteriormente, o governo preparou um plano para combater as medidas restritivas, que inclui cerca de uma centena de iniciativas. O valor do financiamento será de cerca de um trilhão de rublos.

Entre essas medidas está um decreto assinado por Putin que amplia os poderes das autoridades regionais na esfera socioeconômica.

O documento também os obriga a aumentar os benefícios sociais, fornecer apoio direcionado aos cidadãos, garantir a estabilidade dos preços dos bens essenciais, controlar a situação no mercado de trabalho e reduzir as barreiras administrativas para as empresas privadas.

O presidente russo também anunciou um aumento nas pensões, um salário mínimo e salários para funcionários do Estado.

* Com informações da Reuters e AFP