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Videolocadora fecha após 32 anos no RS: 'Há clientes, mas não há produtos'

Locadora de Porto Alegre conseguia manter clientela, mas esbarrou em dificuldades de fornecimento no mercado - Reprodução/RBS TV
Locadora de Porto Alegre conseguia manter clientela, mas esbarrou em dificuldades de fornecimento no mercado Imagem: Reprodução/RBS TV

Colaboração para o UOL

30/03/2022 10h20

Muitos podem não saber, mas, mesmo com as facilidades da internet, ainda existem videolocadoras espalhadas pelo Brasil. Continuar existindo, contudo, está ficando mais difícil, como mostra o fim da história de uma das últimas videolocadoras de Porto Alegre, programada para encerrar as atividades em abril, após 32 anos de funcionamento, em razão da falta de mídias físicas no mercado.

Segundo o gerente do estabelecimento, Charles Schumacher, ao contrário do que alguns imaginam, ainda há uma quantidade considerável de clientes fiéis ao aluguel de DVDs, dos mais recentes blu-rays e até de VHS. A clientela atual é o suficiente para a sobrevivência do negócio. O problema que levou ao fechamento é que muitas produtoras e distribuidoras de filmes não lançam mais o produto nos formatos antigos, limitando-se apenas em oferecê-los por serviços de streaming.

"Não está tendo mais a mídia física, o nosso produto principal. Não tem o que fazer", disse Schumacher em reportagem exibida pelo jornal "Bom Dia Rio Grande", da RBS TV. "Pelos clientes, nós continuaríamos, tem cliente que nos relatou que chorou. Ontem, uma cliente disse: 'Tu acredita que eu chorei em casa porque vocês não vão estar mais?'. O problema para nós não são os clientes. A gente tem de locação, de venda, o que não tem mais é produto".

A clientela era formada por pessoas que simplesmente não abandonaram o costume de alugar filmes ou que gostam do ambiente proporcionado por uma locadora. O físico médico Daniel Souza, por exemplo, frequentava o estabelecimento porque gosta de conversas e de pedir opiniões sobre as obras.

"Essa linha de tu encontrar determinados tipos de filmes, ir no balcão e conversar com pessoas que entendem, ou que pelo menos têm o mesmo pensamento, a mesma discussão. Então, tu fala de um ator, tu fala de um diretor, aí ele te remonta: 'tem tal e tal filme que é interessante'. Isso sempre foi uma coisa que me chamou muita atenção", explicou Souza.

Prateleira - Reprodução/RBS TV - Reprodução/RBS TV
Estabelecimento começou a se desfazer de boa parte do acervo.
Imagem: Reprodução/RBS TV

Apesar de ter conseguido sobreviver até aqui, a videolocadora já estava bem longe dos seus dias de ouro. Antigamente, chegou a ter cerca de 40 mil títulos, número cortado para menos da metade nos tempos atuais. Na década de 1990, o estabelecimento possuía dez fitas do sucesso "Ghost - Do outro lado da vida' e, mesmo assim, era preciso enfrentar uma fila de espera de 100 pessoas para locá-lo.

Agora, as prateleiras estão sendo esvaziadas, já que a videolocadora está se desfazendo do acervo antes fechar definitivamente. Algumas fitas raras, entretanto, devem ficar guardadas.

Nos últimos anos, a Blockbusters fechou lojas nos Estados Unidos, mostrando que nem mesmo a grande rede encontrou meios de sobreviver neste mercado.