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Aposentado gasta 50% da renda com remédios e já se preocupa com aumento

CMED autorizou reajuste de até 10,89% para remédios - iStock
CMED autorizou reajuste de até 10,89% para remédios Imagem: iStock

Giuliana Saringer

Do UOL, em São Paulo

05/04/2022 04h00

O aposentado João Guilherme de Lima, de 68 anos, gasta cerca de R$ 600 por mês com remédios, o que representa quase metade de sua renda mensal. São 16 comprimidos por dia para tratar uma doença no coração, diabetes e pânico.

"Hoje de 40% a 50% da minha renda vai para remédios, é muita coisa", afirma Lima, que é aposentado por invalidez e mora com a mãe, com quem divide as contas domésticas.

Com o reajuste de remédios autorizado pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), de até 10,98%, os gastos podem aumentar ainda mais. Na prática, um remédio que custe R$ 100, pode chegar a até R$ 110 com o novo reajuste autorizado pelo governo.

Para tentar driblar os aumentos, Lima está pensando em usar o cartão de crédito. Atualmente faz todos os pagamentos da farmácia no débito.

"Eu extrapolei com o cartão de crédito, então o quebrei para não usar mais, mas agora estou pensando em pegar um novo, justamente para pagar a farmácia. Estou sentindo um gasto muito alto com remédios", declara Lima.

Dois AVCs e 12 comprimidos por dia

Os gastos na farmácia também são bem altos para Wagner Regos Martinho, de 62 anos. Martinho teve dois AVCs há dois anos e, desde então, toma remédios de uso contínuo. São cerca de 12 comprimidos por dia, para coração e diabetes.

Assim como Lima, Martinho gasta cerca de R$ 600 por mês com remédios, o que corresponde a cerca de 25% a 30% da renda familiar mensal. Para economizar, acaba usando descontos do plano de saúde e as promoções nas próprias redes de farmácias.

"Eu devo gastar uns R$ 600 de remédio, isso porque ainda mostramos a carteirinha do convênio na hora da compra", conta Martinho.

Pensando em quem não tem condições de pagar por tratamentos, Martinho diz que, sempre que pode, faz doações de remédios que não utiliza mais a uma ONG.

"Carne você corta, roupa você dá um jeito, dá um pontinho se rasgar. Agora remédio não dá para driblar. Tenho direito de pegar remédios de diabetes na farmácia popular, mas não pego, porque acho que se eu pegar pode fazer falta para alguém que não consegue pagar. Enquanto conseguir, vou continuar fazendo isso", afirma Martinho.

Como conseguir remédios de graça?

É possível encontrar remédios grátis para doenças crônicas, como diabetes, asma e hipertensão. O benefício não está direcionado apenas a quem é usuário do SUS (Sistema Único de Saúde).

Quem tiver uma receita de uma clínica particular também pode contar com o programa. Para pedir os medicamentos, a pessoa precisa ir até uma farmácia que possua o logo "Aqui tem farmácia popular" ou em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) que tenha o serviço. É preciso apresentar a receita médica e um documento com foto.