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Maílson da Nóbrega: Privatizar Petrobras pode ser tiro no pé de Bolsonaro

Do UOL, em São Paulo

12/05/2022 13h25Atualizada em 17/05/2022 12h48

O ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria Maílson da Nóbrega avalia que a privatização da Petrobras sem o cuidado necessário pode ser um tiro no pé para o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em entrevista ao UOL News, o economista que fez parte do governo de José Sarney, entre 1988 e 1990, disse que desestatizar a petroleira é um processo complexo que não pode ser feito da noite para o dia.

"É uma jogada eleitoral equivocada", disse. "A ideia feita de maneira inadequada, no momento errado, de afogadilho, pode ser um tiro no pé do ponto de vista político".

Para ele, o presidente apoia a privatização pelos motivos errados, citando que há pessoas da direita e da esquerda contra a privatização. Logo, conduzir esse processo antes de um amplo convencimento da sociedade poderia sair pela culatra.

"O Bolsonaro está sendo a favor da privatização porque tem uma ideia equivocada que privatizar da noite para o dia vai baixar o preço da gasolina, diesel e gás de cozinha, e com isso ele ganha mais apoio", afirmou. "[A privatização] é um trabalho complexo, que não pode ser feito de afogadilho, a menos de seis meses do fim do governo".

Veja a entrevista completa e notícias do dia no UOL News:

'Guedes quer ser Margaret Thatcher brasileiro'

O ex-ministro também comentou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, parece afoito em querer deixar um legado.

"O que o ministro da Economia e o ministro de Minas e Energia estão fazendo é jogar para a plateia, sem analisar a viabilidade e as consequências de uma coisa malfeita. O ministro da Economia está ansioso em deixar um legado, fazer uma privatização fantástica que o elevará ao posto de Margaret Thatcher brasileiro. Ele não vai conseguir, por isso perde o equilíbrio", disse Maílson.

Ele se referiu também ao pronunciamento do ministro no início da tarde, que ele interrompeu bruscamente após ouvir críticas a uma possível privatização da Petrobras.