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Bolsonaro critica margem de lucro da Petrobras: 'Está gorda e obesa'

O presidente Jair Bolsonaro, durante encontro com parlamentares em evento no Planalto  - MATEUS BONOMI/ESTADÃO CONTEÚDO
O presidente Jair Bolsonaro, durante encontro com parlamentares em evento no Planalto Imagem: MATEUS BONOMI/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

12/05/2022 10h29Atualizada em 12/05/2022 11h27

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que a Petrobras está "gordíssima, obesa", em referência à margem de lucro da estatal. A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 44,56 bilhões no primeiro trimestre do ano.

A declaração de Bolsonaro foi dada a jornalistas ontem, após ele discursar na 48ª edição da Expoingá, uma feira agropecuária que acontece em Maringá, no Paraná.

"A Petrobras está gordíssima, está obesa! Poderia, sim, o seu Conselho e diretores reduzir a margem de lucro. A margem de lucro deles é na casa de 30%, já as outras petroleiras estão no máximo em 15%", afirmou.

O presidente da República defendeu que a Petrobras abaixe a margem de lucro "pensando no Brasil". A fala foi feita no mesmo dia em que o então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, foi exonerado do cargo —a Petrobras é ligada à pasta.

"Petrobras, você é Brasil! Ou quem está aí dentro não pensa no seu país? O povo está sofrendo bastante com o preço do combustível", acrescentou.

No entanto, Bolsonaro omitiu que o governo é o maior acionista da empresa —-ou seja, o lucro da empresa garante verba para o caixa do governo. E insinuou que os reajustes da Petrobras são feitos para afetar a sua imagem. "Não adianta querer atingir o presidente, quem paga a conta é todo o Brasil."

Ele acrescentou que "lamenta o que está acontecendo" e ressaltou que quem define o preço dos combustíveis é a Petrobras.

Na segunda-feira (10), a Petrobras anunciou novo aumento de 8,87% no preço do diesel nas suas refinarias. Nos postos, o preço do combustível aumentou em 96% durante o governo Bolsonaro, segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Não é a primeira vez que o chefe do Executivo critica a margem de lucro da Petrobras. Na semana passada, ele afirmou que o resultado era um "estupro".

Presidente atacou Petrobras dias antes do reajuste

O anúncio do aumento do diesel aconteceu dias depois de o presidente Bolsonaro fazer apelos diretos, na live de quinta-feira (5), ao presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, e a Albuquerque, para que não houvesse novos aumentos nos preços dos combustíveis.

O próprio José Mauro assumiu há menos de um mês, após Bolsonaro demitir seu antecessor, Joaquim Silva e Luna, após aumentos nos combustíveis. Silva e Luna, por sua vez, substituiu Roberto Castello Branco, demitido pelo mesmo motivo.

A Petrobras pratica preços ligados à cotação internacional do petróleo e ao dólar. Quando eles sobem, como agora, os combustíveis sobem junto. Apesar do reajuste de segunda-feira, o diesel ainda está defasado em 11% em relação aos preços praticados lá fora.

Na live, o presidente pediu que a estatal reduzisse seu lucro, que ele considerou "absurdo" e "um estupro".

"A gente apela para a Petrobras, não reajustem o preço dos combustíveis. Vocês estão tendo um lucro absurdo", disse o presidente na tradicional transmissão ao vivo por redes sociais às quintas-feiras.

"Ela [Petrobras] deve ter a função social. Petrobras, estamos em guerra. Petrobras, não aumente mais o preço dos combustíveis. O lucro de vocês é um estupro, é um absurdo", afirmou, dizendo que não interfere na empresa e que não tem responsabilidade pela situação.

"Se continuar tendo lucro dessa forma, aumentando o preço do combustível, vai quebrar o país. Se tiver mais um aumento de combustível, pode quebrar o Brasil. E o pessoal da Petrobras não entende ou não quer entender, ou só estão de olho no lucro", acrescentou.

Ao mesmo tempo em que Bolsonaro fazia seus apelos à Petrobras, a estatal divulgava um lucro líquido de R$ 44,56 bilhões no primeiro trimestre do ano. Com isso, os cofres da União recebem R$ 14 bilhões em dividendos.