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Presidente da Caixa já se parabenizou por ter mulheres em cargos de chefia

Do UOL, em São Paulo

29/06/2022 15h49Atualizada em 29/06/2022 16h26

Alvo de denúncias por assédio sexual, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, já se parabenizou por colocar mulheres em cargos de chefia no banco.

Em evento em fevereiro deste ano no Palácio do Planalto, ele comemorou que 14 mulheres assumiram cargos de diretoras ou vice-presidentes durante o mandato dele.

"Quando a gente assumiu o banco, não havia nenhuma mulher como vice-presidente ou diretora. Eu sou matemático. Se são 85 mil empregados, 42,5 mil mulheres e 42,5 mil homens, é uma impossibilidade matemática que, dos 85 mil, os 50 principais cargos vão para homens", diz.

Não havia respeito às mulheres na Caixa Econômica Federal. Hoje, por meritocracia, temos 14 vice-presidentes e diretoras. Inclusive, temos uma empresa só listada na Bolsa de Valores, e a executiva é uma mulher. O segundo cargo da Caixa Econômica Federal é ocupado por uma mulher, meritocraticamente. Pedro Guimarães, presidente da Caixa

Ele se referia à Camila de Freitas Aichinger, que chefiou a subsidiária Caixa Seguridade até junho deste ano. Ela deixou o cargo para assumir a vice-presidência da rede de varejo do banco. A função é exercida hoje por André Nunes.

Denúncias de assédio sexual

Guimarães, aliado próximo do presidente Jair Bolsonaro (PL), pode ser demitido da presidência da estatal ainda hoje. Ontem, o portal Metrópoles divulgou denúncias de funcionárias do banco, que incluem toques íntimos não autorizados, abordagens inadequadas e convites incompatíveis com a relação de trabalho. Elas começaram a surgir no fim do ano passado e motivaram a abertura de uma investigação pelo MPF (Ministério Público Federal).

Todas as mulheres que falaram ao Metrópoles, sem que seus nomes fossem divulgados, trabalham ou trabalharam em equipes que atendem diretamente o gabinete da presidência da Caixa. As cinco entrevistadas disseram que se sentiram abusadas em diferentes ocasiões, e sempre em compromissos de trabalho.

Os casos teriam acontecido, muitas vezes, em viagens relacionadas ao programa Caixa Mais Brasil. Segundo relato, o presidente do banco escolhe, preferencialmente, "mulheres bonitas" para as comitivas nas viagens. De acordo com Ana*, uma das funcionárias que denunciaram o assédio, o comunicado de escolha é como um prêmio.

Outra prática comum, segundo as funcionárias, é que mulheres que despertam a atenção de Guimarães durante as viagens sejam chamadas para atuar em Brasília, muitas vezes promovidas hierarquicamente sem preencher requisitos necessários. A prática deu, inclusive, origem a uma expressão usada para se referir a elas: "disco voador".

Em contato com o UOL, o Ministério da Economia disse que não irá se manifestar sobre o caso.

Em nota, a Caixa afirma que "não tem conhecimento das denúncias apresentadas pelo veículo e que adota medidas de eliminação de condutas relacionadas a qualquer tipo de assédio.". Ainda no texto enviado ao UOL, a instituição diz que "o banco possui um sólido sistema de integridade, ancorado na observância dos diversos protocolos de prevenção, ao Código de Ética e ao de Conduta, que vedam a prática de 'qualquer tipo de assédio, mediante conduta verbal ou física de humilhação, coação ou ameaça'".

Guimarães participou nesta manhã de um evento da Caixa que, inicialmente, havia sido cancelado após a revelação das denúncias. O presidente do banco chegou ao local acompanhado da esposa. Em discurso, ele afirmou que tem uma "vida pautada pela ética", mas não mencionou diretamente o caso.