IPTU, IPVA: quais boletos chegam no no início de ano e como ter desconto

Mal acabam as festas de Natal e Réveillon e os boletos já começam a chegar. Ainda que esses gastos sejam os mesmos, ano após ano, poucos planejam o orçamento para quitar essas despesas sem afetar o orçamento mensal. "Nós encaramos os conhecidos gastos de início de ano como imprevistos que abalam o orçamento, mas, na verdade, são gastos muitos previsíveis e que conhecemos e podemos fazer um planejamento melhor", diz Teresa Tayra, educadora financeira.

IPTU, IPVA e material escolar estão entre os gastos

Para evitar descontrole no orçamento doméstico, é importante que a família faça um planejamento ao longo do ano. Os gastos mais conhecidos de início de ano são:

  • IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano)
  • IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores)
  • Matrícula e material escolar
  • Seguros residencial, de carro e de vida

Quem tem imóvel próprio deve pagar o IPTU. No caso de aluguel, o mais comum é que o responsável pelo pagamento desse imposto seja o locatário, mas pode haver transferência de responsabilidade. Tanto quem tem casa própria quanto quem mora de aluguel deve pagar o IPTU. O tributo pode ser pago à vista, com desconto, ou parcelado.

O IPTU também é cobrado em cima do valor venal do imóvel. Em São Paulo, o imposto é de 1% em cima do valor, e estão isentos os imóveis residenciais que valem até R$ 230 mil. Há ainda descontos para certos imóveis. O IPTU pode ser pago à vista com desconto em janeiro ou parcelado em 12 vezes com o valor cheio. O desconto varia de acordo com a prefeitura.

Donos de veículos precisam pagar IPVA. Assim como o IPTU, o IPVA também oferece a opção do pagamento à vista ou parcelado. O IPVA custa de 1% a 6% do preço do veículo, dependendo do tipo de automóvel e do estado. Boa parte dos estados usa a tabela Fipe como referência para os veículos seminovos.

O IPVA começa a ser cobrado em janeiro. Há a opção de cota única com desconto de 3%, no caso da cidade de São Paulo, ou pagamento da primeira parcela. O parcelamento é feito em cinco vezes e termina em maio.

Lista de material escolar chega em dezembro do ano anterior. Pais com filhos em escolas particulares já começam a receber a lista de material escolar no fim do ano, com prazo para a compra até janeiro.

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Escolas dão desconto para pagamento anual. As escolas particulares geralmente oferecem a opção de pagamento anual da matrícula e mensalidade escolar com desconto. No entanto, para escolher essa alternativa é preciso manter uma reserva mínima de aplicação em renda fixa no valor equivalente a três meses de despesas após o pagamento à vista, orienta a planejadora.

Profissionais que atuam como MEI começam a entregar a declaração de imposto de renda no primeiro mês do ano. Mas não pagam nenhum imposto extra, além da mensalidade que embute todos os impostos e contribuições ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Os valores das contribuições MEI de 2024 ainda não foram divulgados, mas, em 2023 de R$ 67,00 para o MEI contribuinte do ICMS, R$ 71,00 para o MEI contribuinte do ISS e R$ 72,00 para o MEI contribuinte do ICMS e ISS.

Qual é a melhor maneira de pagar essas contas

O ideal é manter uma reserva de emergência para este período. Essa poupança pode ser feita ao longo do ano ou com parte do 13º salário. Quem não tem a reserva para pagar estas contas em janeiro, pode começar a planejar os gastos de 2025. Não espere sobrar para poupar. Poupe de uma forma antecipada, como se fosse uma categoria a mais no seu orçamento.

Os descontos do IPTU e do IPVA podem ser aproveitados por quem tem uma reserva que cubra, no mínimo, três meses de despesas, já que é importante não ficar sem capital em uma emergência e precisar de um empréstimo, no qual precisará pagar juros.
Rejane Tamoto, planejadora financeira

É essencial fazer um orçamento durante todo o ano. É importante anotar as receitas e as despesas recorrentes mensais, além dos gastos anuais que já podem ser previstos. "Com isso, é possível saber quanto usar do 13º salário ou da própria reserva e fazer pagamentos à vista. Também é possível saber o que pode ser parcelado sem comprometer o equilíbrio financeiro dos próximos meses. É um exercício muito importante de ser realizado agora mesmo", conta Rejane.

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Controle as parcelas para não prejudicar meses seguintes. Quem não tem reserva precisa anotar todos os gastos extras de janeiro para não comprometer orçamento nos próximos meses com as parcelas. E vale cortar alguns gastos para isso. "Antes de recorrer a um empréstimo, sugiro uma análise das despesas que podem ser temporariamente cortadas para abrir espaço para essas parcelas e a buscar por renda extra por meio de trabalhos freelancer", declara Rejane.

Venda de garagem ajuda a levantar dinheiro extra. Outro meio é aproveitar o clima de fim de ano para limpar e organizar a casa em busca de objetos que tem valor e podem ser vendidos, incluindo roupas. "Toda renda extra será bem-vinda, junto com o corte de despesas em assinaturas e outros serviços que podem não estar sendo usados mais com tanta frequência", sugere a planejadora.

Empréstimo financeiro só em último caso. Se não tem como cortar gastos ou arrumar renda extra e realmente precisar de empréstimo para esses gastos, é importante voltar para a anotação das despesas do próximo ano e ver se há espaço para pagar as parcelas de empréstimo. Antes de assinar qualquer contrato, compare o Custo Efetivo Total (CET) das operações para verificar qual é a de menor custo. As linhas de crédito com garantia (de salário, como o consignado, ou empréstimo com garantia de veículo e imóvel) tendem a ter a taxa mais baixa, mas é preciso análise cuidadosa das condições de cada uma.

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