Brasileiro que morou de graça em hotel de NY espera 'decisão para voltar'

O brasileiro Mickey Barreto, que conseguiu na Justiça um documento (já invalidado) que lhe dava a posse do New Yorker Hotel, onde se hospedou por cinco anos sem pagar, disse que está "esperando uma decisão" para poder voltar ao empreendimento, de onde foi despejado há nove meses.

O que aconteceu

Declaração foi dada em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record. De acordo com a reportagem, o documento que deu a Barreto a posse do hotel foi emitido pela Justiça americana em maio de 2019 e teve sua validade suspensa em julho do ano passado.

Barreto tentou buscar pertences no hotel (sem sucesso) nos últimos dias. A situação foi mostrada na reportagem exibida pelo programa neste domingo (31).

O brasileiro pode ter de pagar R$ 850 mil ao hotel. Um especialista americano entrevistado pelo programa Fantástico, da TV Globo (que também exibiu uma reportagem sobre o caso neste domingo) afirmou que o brasileiro pode ser condenado a mais de 10 anos de prisão por conta das fraudes que supostamente cometeu.

Relembre o caso

Tudo começou em junho de 2018, segundo o jornal The New York Times. Barreto chegou ao hotel, na Oitava Avenida, e se hospedou por uma noite, tendo acertado uma diária de aproximadamente R$ 1.000. Dali para a frente, ele nunca mais saiu do local até a ordem de despejo.

Brasileiro solicitou benefício ao New Yorker Hotel, que negou — dando início à confusão. Uma lei de Nova York diz que hotéis construídos antes de 1969 que tinham quartos alugados por menos de R$ 440 por semana em maio de 1968 poderiam ter um hóspede como residente permanente, solicitando um aluguel com desconto.

Barreto processou o hotel e ganhou a ação. Mais que isso: ele tentou colocar o quarto 2565 em seu nome. Mas, como o hotel não dividia seus registros por quartos, o brasileiro conseguiu o registro do empreendimento inteiro e se tornou proprietário do New Yorker Hotel.

Depois de muita briga, um juiz emitiu uma decisão em que dizia que a escritura era forjada e que Barreto não era dono de nada. Apesar disso, ele seguiu se apresentando como proprietário, o que levou a mais uma ação judicial por desacato.

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Brasileiro participará de audiência relacionada ao caso em 1º de maio. Ele foi preso em 14 de fevereiro (quando diz ter falado com representantes de Joe Biden, presidente dos EUA, por telefone) e autuado por 14 acusações de fraude — todas relacionadas à tentativa de assumir o hotel. Ele foi liberado depois e aguarda, em liberdade, o julgamento da Suprema Corte.

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