Para ministro é 'falta de inteligência' aumentar juros para conter inflação
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O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, criticou a política de aumento de juros adotada pelo Banco Central. Segundo ele, a estratégia leva ao crescimento do desemprego e não deve ser vista como uma solução sustentável para controlar a inflação.
Marinho argumenta que, com a perda de postos de trabalho, mais pessoas precisam recorrer ao seguro-desemprego e ao Bolsa Família para garantir renda, o que agrava a situação econômica do país.
Não é necessário gerar desemprego para controlar a inflação. Aí faltaria inteligência. Nós não queremos um país que se sustente com Bolsa Família. O Bolsa Família é um colchão de proteção social transitória.
Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego
O que aconteceu
Ministro do Trabalho criticou alta de juros como política contra a inflação. Durante a divulgação dos dados de empregos formais no Brasil, o ministro Luiz Marinho afirmou que o aumento dos juros não deve ser utilizado como estratégia para controlar a inflação. Para ele, a solução está na ampliação da produção, e não no crescimento do desemprego.
Dados do Caged mostram criação de mais de 431 mil empregos formais em fevereiro. O levantamento aponta que o setor de serviços liderou as contratações, com 304.149 novos postos de trabalho. A indústria foi o segundo setor com maior saldo positivo, registrando 140.798 empregos formais no acumulado de janeiro e fevereiro de 2025.
Inflação acumulada dos últimos 12 meses ficou em 5,26%. O IPCA registrou alta de 0,64% no último mês. O índice segue acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central, reforçando o debate sobre a política monetária adotada pela instituição.
Ministro questionou a visão do mercado sobre juros e emprego. Marinho afirmou que a criação de empregos formais fortalece o país e criticou análises que defendem a restrição de investimentos como forma de conter a inflação. "Quem erra assim não pode ser chamado de especialista", declarou o ministro, referindo-se ao posicionamento de agentes do mercado financeiro.
Banco Central defende estratégia de desaquecimento da economia. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a política monetária atual busca reduzir a inflação e desacelerar a economia.
O que dizem economistas
Aumento de juros não é suficiente para conter inflação. Controle dos gastos públicos, incentivo à produção por meio do governo federal, reformas estruturais, melhora da comunicação entre o BC e o Executivo e restrição da oferta de crédito são outras medidas que tanto o governo quanto o Banco Central podem adotar para que não seja preciso aumentar a taxa de juros para que a meta de inflação seja cumprida.
Desemprego é uma das consequências que afeta pessoas de baixa renda em um cenário de aumento de juros. "Ao aumentar os juros, o BC pode reduzir a demanda, pois consumidores e empresas terão menos incentivo para gastar e investir. Isso pode levar a um aumento do desemprego, já que a atividade econômica diminui", diz Felipe Nascimento, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Aumento do desemprego também afeta desigualdade racial. O aumento de um ponto percentual na taxa Selic aumenta o desemprego de homens negros em 1,22 pontos percentuais em relação a homens brancos. Isso é o que mostra uma pesquisa divulgada em 2023 pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP.
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