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Recepção morna do mercado ofusca festa de estreia do Carrefour Brasil na bolsa

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A recepção morna dos investidores ofuscava a festa de estreia do Carrefour Brasil nesta quinta-feira na bolsa paulista, palco do maior IPO do país nos últimos quatro anos.

Às 14h18, a ação da maior rede supermercadista do país em faturamento caía 0,2 por cento, cotada a 14,97 reais, após a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) ter sido precificada na terça-feira no piso da faixa indicativa, que ia de 15 a 19 reais.

Executivos e acionistas da companhia procuraram mostrar otimismo na cerimônia de estreia das ações, em especial o empresário Abilio Diniz, membro do conselho de administração e terceiro maior acionista da holding francesa Carrefour.

"O IPO do Carrefour Brasil mostra que o país é forte e está superando suas dificuldades", disse Diniz, outrora presidente e dono da maior rival do Carrefour Brasil, o GPA, criado por sua família e que ele mesmo levou à bolsa em 1995.

Derrotado em 2013 pelo francês Jean-Charles Naouri na briga pelo controle do GPA, Diniz afirmou nesta quinta-feira que está comprometido em ajudar a holding Carrefour a atingir um novo patamar global, especialmente após a mudança no comando do grupo, no mês passado.

"O Carrefour passa por um momento de transformação", disse. "Foram dias tensos, mas com um final feliz... é um momento muito importante para o grupo e para mim."

Executivos do Carrefour Brasil, incluindo o presidente-executivo, Charles Desmartis, evitaram fazer comentários a jornalistas citando o período de silêncio da oferta, que dura 30 dias após a estreia dos papéis no mercado.

Analistas, no entanto, monitoram a companhia com cautela, considerando tanto o cenário de fraqueza econômica do país e de incerteza política, quanto da competição acirrada, em especial com o maior rival.

"Enquanto não saírem os dados separados das operações no Brasil, os investidores ficarão arbitrando com GPA e outras varejistas", disse o analista da corretora Lerosa Investimentos Vitor Suzaki.

Enquanto a ação do Carrefour Brasil oscilava em torno da estabilidade, a do GPA avançava 1,5 por cento. O Ibovespa tinha declínio de 0,2 por cento.

Segundo relatório do Société Générale, as ações do GPA estavam sendo negociadas a um desconto de 10 por cento em relação ao IPO do Carrefour Brasil, o que abre espaço para uma mudança de patamar no preço do papel, apoiado também por potencial recuperação na lucratividade do grupo.

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