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Plano da Empiricus de criar corretora atrai atenção de outras empresas

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - Os planos da Empiricus de expandir sua atuação e criar uma corretora têm atraído a atenção de outras corretoras interessadas em uma parceria, de olho na base de clientes da empresa de análise financeira, segundo três fontes ouvidas pela Reuters.

Apesar do assédio de outras empresas, que tentam convencer a Empiricus a abrir sua corretora no formato chamado participante de negociação (PN), ou seja, que pode atuar como corretora, mas atrelado a um participante de negócios pleno (PNP), uma fonte com conhecimento do assunto disse à Reuters que a opção predominante nas conversas atualmente é seguir de forma independente.

A empresa de análise ganhou notoriedade com vídeos em redes sociais e títulos polêmicos em seus relatórios, como "O fim do Brasil", publicado em 2014, antes da reeleição da então presidente Dilma Rousseff. A estratégia ajudou a angariar mais clientes para a empresa que chegou ao patamar atual de 180 mil assinantes.

Mas a abordagem da empresa em seus relatórios também levou em outubro a Associação de Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) a suspender três analistas da empresa, incluindo o sócio Felipe Miranda, de assinar relatórios de análise, email marketing entre outras comunicações, pelo período de 30 dias, a partir de 16 de novembro. A Empiricus disse que vai recorrer da decisão.

Se a base de clientes da Empiricus migrasse para a nova corretora, a empresa já estrearia como uma das maiores do país, à frente de corretoras e plataformas mais conhecidas como Modalmais e Órama Investimentos, que têm cerca de 100 mil clientes cada. A XP Investimentos seguiria à frente, com 500 mil clientes no grupo, o que inclui as corretoras adquiridas nos últimos anos, como Rico e Clear.

Os planos de abrir uma corretora vêm à tona em meio ao processo de consolidação pelo qual passa o setor no país. Nos movimentos mais recentes, o Itaú Unibanco anunciou em maio a compra de 49,9 por cento da XP Investimentos por 6,3 bilhões de reais. Já em setembro, a chinesa Fosun acertou acordo para compra de 70 por cento da Guide Investimentos. Em outra frente, a Modalmais disse à Reuters no mês passado que estuda realizar IPO em 2019.

Apesar de favorecer o caminho independente, a fonte disse que a Empiricus não definiu ainda se abriria uma corretora sozinha, entrando com os pedidos de todas as autorizações, em um processo que pode ser longo, ou se compra uma corretora já existente, o que aceleraria a entrada na nova área de atuação.

"Neste sentido, a compra poderia ser de uma corretora operante mesmo ou só do casco", disse a fonte, referindo-se à possibilidade de comprar uma empresa que já possua todas as autorizações regulatórias, mas que esteja inoperante.

Procurada pela Reuters, a Empiricus não comentou planos sobre uma eventual abertura de corretora.

Miranda indicou recentemente aos clientes da Empiricus que a inclinação seria seguir de forma independente, segundo algumas de suas newsletters enviadas no fim de outubro.

Em uma delas, Miranda se dirigiu aos assinantes para consultar a opinião dos clientes sobre a possibilidade de criação ou compra de uma corretora e afirmou que existe uma discussão, "talvez arriscaria dizer uma vontade, interna sobre essa possibilidade".

O resultado da pesquisa mostrou que 62,5 por cento dos clientes que responderam disseram que a Empiricus deveria montar ou comprar uma corretora, enquanto 37,5 por cento responderam não.

Em outra newsletter, Miranda disse que uma operação neste sentido só funcionaria se, entre outros pontos, as duas estruturas fossem mantidas separadas.

"A publicadora de conteúdo continuaria funcionando igualzinha, com os mesmos analistas, sendo remunerados exclusivamente pela qualidade e pela performance de suas recomendações. A corretora seria uma empresa diferente, totalmente apartada e tocada de forma independente, por outras pessoas", escreveu o executivo.

Uma segunda fonte do setor ouvida pela Reuters disse que pelo menos uma das empresas que chegou a conversar com a Empiricus desistiu de levar as negociações adiante ao avaliar que a nova empresa acabaria se sobrepondo à corretora já existente e reconhecida no mercado.

"O potencial da base de clientes da Empiricus é muito grande, então ela acabaria engolindo qualquer outra corretora que entrasse nessa parceira", disse a segunda fonte, sem mencionar nomes das corretoras envolvidas nas negociações.

Sobre a suspensão dos analistas, uma terceira fonte do mercado ponderou que a decisão da Apimec não interfere nos planos da Empiricus em criar uma corretora, uma vez que isso poderia dar mais fôlego para a criação da nova área de negócios, que seria tocada por Miranda.

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