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Saldo externo na Bovespa volta a ficar negativo em 2018

28/05/2018 16h25

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - Fortes saídas de capital externo do segmento Bovespa da B3 este mês, particularmente nos últimos seis dias, reverteram o saldo acumulado do ano, que agora está novamente negativo, em 1 bilhão de reais, em meio à piora da percepção de risco em relação às ações brasileiras.

Nos últimos seis pregões, houve saída líquida de 5,43 bilhões de reais. Até a véspera, o saldo era positivo em pouco mais de 500 mil reais. Após forte entrada em janeiro, a Bovespa registrou saldo negativo em fevereiro e março, voltando a registrar entradas líquidas em abril.

Profissionais da área de renda variável atribuíram o movimento a uma piora na aversão a risco global, potencializada por fatores domésticos, notadamente o quadro político de ainda bastante incerteza e números decepcionantes sobre o crescimento da economia.

"Houve um ligeiro aumento da aversão a risco global com valorização do dólar e depreciação das demais moedas, particularmente de mercados emergentes, o que levou a uma correção em mercados acionários", destacou o presidente da Bradesco Asset Management, Andre Carvalho.

O índice MSCI para ações de mercados emergentes, que mostrava um desempenho quase estável em 2018 até abril, passou a registrar perda no ano de quase 2 por cento até maio.

Na visão do chefe da mesa de renda variável da CM Capital Markets, Fabio Carvalho, seguem as dúvidas em relação aos próximos passos da política monetária que será adotada pelo banco central norte-americano, o Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês), que tem efeito nos fluxos de capital.

Do lado doméstico, pesa a continuidade da incerteza política, em meio a um cenário bastante fragmentado quanto aos candidatos, sem o desenho de futuras alianças ainda e com pesquisas eleitorais mostrando percentual elevado de indecisos.

"É difícil ver uma mudança nesse quadro antes de julho", Carvalho, da BRAM, enxergando ainda mais incertezas no front político em razão da greve dos caminhoneiros e seus desdobramentos. Segundo ele, na semana passada, já se observou uma atitude mais cautelosa do investidor com estatais em geral.

Caminhoneiros mantinham nesta segunda-feira o 8º dia de uma paralisação que tem provocado desabastecimento e impactado a economia brasileira, apesar do anúncio na véspera pelo presidente Michel Temer de uma série de medidas para atender demandas da categoria.

Para o sócio da gestora Galt Capital, Igor Lima, os últimos eventos sinalizam aumento da fragilidade do governo.

"A questão de 1 milhão de dólares nesta fase é quanto tempo duraria a greve e se ressurgiria nos próximos meses - dado quão poderoso o movimento provou ser", escreveram estrategistas do BTG Pactual em relatório a clientes.

Preocupações sobre os efeitos da greve em diversos setores da economia, bem como o impacto fiscal e na Petrobras das medidas fizeram o Ibovespa zerar os ganhos no ano mais cedo nesta segunda-feira, quando caiu 4 por cento, a 75.701 pontos, mínima intradia de 2018.

Por volta das 16h, o Ibovespa tinha queda de 3,7 por cento, a 75.962 pontos.

Os efeitos da greve acentuam outro fator que vem pressionando a bolsa: uma retomada da economia brasileira mais lenta do que se previa no começo do ano.

Pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira mostrou que a mediana das estimativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) caiu a 2,37 por cento na semana passada, sobre 2,5 por cento antes, depois de uma semana de paralisação de caminhoneiros no país. [nL2N1SZ0F7]

De acordo com Carvalho, da BRAM, os investidores estão mais cautelosos em relação ao desempenho do PIB após informações mostrando crescimento menor do que se previa. "...sabemos que está acelerando, mas será gradual e pior do que se esperava antes", disse.

No começo do ano, estimativas do Focus apontavam crescimento de 3 por cento do PIB este ano.

Veja a seguir o saldo de investidores estrangeiros na Bovespa em 24 de maio, em reais. A tabela abaixo é atualizada diariamente, com base em informações da bolsa.

Compras mês Vendas mês Saldo mês Saldo dia Saldo 2018

112,288 bi 117,776 bi -5,488 bi -1,569 bi -1,066 bi