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Crise mudará situação geopolítica com impacto negativo para emergentes, diz Campos Neto

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Marcela Ayres

Brasília

08/04/2020 12h15

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse hoje que a crise do novo coronavírus deve deixar o mundo em situação geopolítica "bastante diferente" do que havia no passado, o que pode causar preocupação em mercados emergentes.

Ao participar de videoconferência com executivos do Crédit Suisse, Campos Neto ressaltou que a cadeia global de valor já vinha sendo desafiada mesmo antes da pandemia, o que deve ganhar força daqui para frente.

"Primeira (implicação) é distanciamento maior do mundo desenvolvido para os países emergentes porque os países emergentes estão muito inseridos nessas cadeias globais de valor", disse ele, pontuando que nos últimos anos grande parte do crescimento dos emergentes foi guiado por especialização e inserção nas cadeias globais de valor.

"Segunda (implicação) é que se você tiver país desenvolvido tendo que voltar a produzir bens onde já ele não tinha vantagem comparativa, provavelmente a gente está numa situação de um crescimento estrutural mundial mais baixo por um tempo maior", acrescentou.

Campos Neto disse haver consenso de que, se essa crise perdurar um pouco mais, grande parte dos países vai convergir para estímulo fiscal de 6% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB), o que é alto.

"A gente tem que ver como é que isso vai acontecer", afirmou.

Economia