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IPCA-15 desacelera a 0,48% em fevereiro, mas tem maior nível para o mês em 4 anos por combustíveis

24/02/2021 09h03

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços de energia elétrica registraram queda e a prévia da inflação oficial brasileira seguiu em desaceleração em fevereiro, embora tenha marcado o nível mais alto para o mês em quatro anos sob pressão dos combustíveis.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) passou a subir 0,48% em fevereiro, de uma alta de 0,78% no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

Apesar do enfraquecimento, o resultado foi o mais alto para um mês de fevereiro desde 2017 (+0,54%). A expectativa em pesquisa da Reuters era de avanço de 0,46%.

Com isso, nos 12 meses até fevereiro o IPCA-15 passou a subir 4,57%, ante uma alta acumulada de 4,30% em janeiro e contra expectativa de 4,55%. Para 2021, a meta do governo é de uma inflação de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA.

O resultado do IPCA-15 foi marcado pela alta de 1,11% dos Transportes, contra 0,14% em janeiro, sendo o grupo com maior impacto no índice. O aumento se deveu ao aumento de 3,34% dos preços dos combustíveis.

O maior impacto individual no IPCA-15 de feverieiro foi exercido pela gasolina, cujos preços subiram pelo oitavo mês consecutivo, a uma taxa de 3,52%. Óleo diesel (2,89%), etanol (2,36%) e gás veicular (0,61%) também avançaram.

Também se destacou o avanço de 2,39% nos custos da Educação, a maior variação no mês, devido aos reajustes anuais aplicados no início do ano letivo e à retirada de descontos adotados por algumas instituições de ensino ao longo de 2020 devido à pandemia de Covid-19.

O que ajudou a conter a pressão dos preços em fevereiro foi a queda de 0,74% de Habitação, após alta de 1,44% no mês anterior. A maior contribuição para esse resultado foi dada pela deflação de 4,24% nas tarifas de energia elétrica por conta da bandeira tarifária amarela em janeiro e fevereiro.

A questão dos preços dos combustíveis tem sido destaque desde o final da semana passada, quando o presidente Jair Bolsonaro anunciou que o governo decidiu indicar o general Joaquim Silva e Luna para assumir os cargos de conselheiro e presidente da Petrobras após atrito sobre combustíveis com o atual CEO da empresa, Roberto Castello Branco.

Acompanhando uma alta das cotações internacionais do petróleo, a Petrobras já reajustou o preço do diesel em mais de 27% no acumulado do ano, enquanto a gasolina nas refinarias da empresa subiu 35%.

Ao mesmo tempo, a desvalorização do real vem levantando cautela em relação aos preços.

O BC suspendeu seu compromisso de não elevar a Selic, mantida na última reunião em 2%. Alguns membros do colegiado defenderam que já fosse dado início à elevação da Selic, mas o entendimento predominante foi de que seria preferível aguardar a divulgação de mais informações sobre o cenário econômico e a pandemia do coronavírus..

A mediana das projeções de economistas consultados na pesquisa Focus do BC aponta alta de 3,82% para o IPCA em 2021.