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Dólar cai 4,3% em dois dias com BC, expectativa sobre juros e fiscal

11/03/2021 17h59

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar emendou um segundo dia de forte queda ante o real, fechando nesta quinta-feira numa mínima em 14 dias, com o mercado repercutindo expectativa de alta de juros na semana que vem, andamento da agenda fiscal e um ambiente externo benigno, além de nova atuação do Banco Central.

O dólar à vista caiu 2,00%, a 5,5412 reais na venda, depois de recuar 2,26%, a 5,5265 reais. Na máxima, a cotação foi a 5,6221 reais, ainda queda de 0,57%.

Na véspera, a moeda recuou 2,39%, a 5,6542 reais na venda, maior desvalorização em seis semanas.

O mercado já começou esta quinta com venda de dólares, repercutindo o IPCA de fevereiro mais alto e à espera de nova intervenção do Banco Central com swaps cambiais tradicionais, apenas um dia depois de ter realizado operações nos mercados futuro e à vista mesmo com o dólar em baixa.

O BC vendeu todos os 20 mil contratos de swap ofertados nesta quinta, injetando no mercado 1 bilhão de dólares em dinheiro novo.

"Eles (o BC) estão colocando em prática uma nova experiência de intervir com o mercado melhorando, o que é mais poderoso para se ter o desejável efeito de gerar desconforto (nos comprados em dólar)", disse o operador de um grande banco.

Uma das teorias para explicar o maior ativismo do BC aponta que a instituição estaria mais preocupada com o risco de repasse cambial aos preços da economia, num cenário em que as expectativas de inflação de algumas casas já superam o centro da meta para 2021 e começam a colocar em xeque o objetivo para 2022.

O IBGE divulgou junto com a abertura do mercado que o IPCA de fevereiro teve a maior alta para o mês em cinco anos e, em 12 meses, superou 5%.

Várias casas têm revisado para cima suas projeções para a inflação, com Bank of America, UBS BB e BNP Paribas entre os bancos que elevaram nesta sessão as estimativas para este ano. Os aumentos por vezes têm sido acompanhados por ajustes em prol de uma Selic mais alta.

Na próxima semana, o Banco Central deve informar a primeira alta de juros em quase seis anos. "Um comunicado mais 'hawkish' (mais duro com a inflação) não parece estar nos preços. E o BC deve mostrar um balanço de riscos pendendo para mais altas (do juro) nas próximas reuniões. Isso deve fazer o câmbio apreciar um pouco", afirmou João Leal, economista da Rio Bravo.

Para Leal, a abertura do diferencial de juros ao longo deste ano será o principal componente da queda do dólar para 5,20 reais no término de dezembro, como projetado pela casa.

Entre a recente mínima do dólar (de 5,4219 reais, de 24 de fevereiro) e a terça-feira --quando fechou em 5,7927 reais, máxima em cerca de dez meses--, a cotação saltou 6,84%. No entanto, já devolveu 4,34% desde então.

De acordo com o economista da Rio Bravo, o principal indutor da queda do dólar nesta semana foi a passagem da PEC Emergencial pelo Congresso. A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira o texto principal da PEC Emergencial em segundo turno e deve dedicar a tarde e a noite à análise de pelo menos dez emendas a serem votadas separadamente. O texto já havia passado pelo Senado Federal.

No Twitter, o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), disse ser importante a conclusão da votação para a Casa avançar em outros assuntos e citou as reformas administrativa e tributária. "A expectativa é que o relatório da reforma tributária seja apresentado já na próxima semana", disse Lira.

O progresso na agenda fiscal do governo ameniza temores sobre a sustentabilidade da dívida pública, ajudando a reduzir o prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros. O dólar chegou perto de 5,90 reais nesta semana, segundo analistas, em boa parte por preocupações de desidratação adicional da PEC Emergencial, o que reduziria sua potência fiscal.

O mercado de câmbio também repercutiu nesta quinta a fraqueza do dólar no exterior, onde a moeda norte-americana caía a mínimas em uma semana em meio a um amplo apetite por risco, que beneficiava Wall Street. O humor era favorecido pela estabilização nos rendimentos dos Treasuries, cuja recente escalada chacoalhou investidores por receios de retirada antecipada de apoio monetário por bancos centrais.

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