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Comerc Energia mira expansão e possíveis aquisições após acordo com Perfin

22/03/2021 18h00

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A Comerc Energia, que atua principalmente em comercialização de eletricidade, deve avaliar oportunidades de aquisição para crescer após ter ganho força com um acordo de associação fechado junto à gestora Perfin, disse à Reuters o presidente da empresa, Cristopher Vlavianos, que revelou também planos no setor de gás.

Fundos controlados pela Perfin acertaram a compra de uma participação de 20% na Comerc por 200 milhões de reais, em operação anunciada no final da noite de sexta-feira.

A transação ocorre em momento aquecido no chamado mercado livre de energia, onde grandes consumidores como indústrias podem negociar contratos de suprimento e seus preços diretamente com geradores ou comercializadoras como a Comerc.

Somente em 2020 o número de "tradings" de energia ativas saltou 16%, para 397, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), responsável por monitorar e registrar operações no mercado. Já empresas aptas a negociar energia no mercado livre eram mais de 8,5 mil ao final do ano, alta de 20%.

"Hoje vislumbramos um crescimento desse mercado, e a gente sabe que o mercado livre vai crescer ainda mais. O potencial é muito grande e novas tecnologias vão trazer benefícios", disse Vlavianos à Reuters nesta segunda-feira.

Fundada em 2001, a Comerc atua com compra e venda de energia no mercado livre e foi pioneira em focar na gestão de clientes que atuam no setor, como consumidores e geradores, o que envolve serviços de consultoria e apoio técnico. Ela também tem unidades de negócios voltadas a tecnologia, informação e energia solar, além de investimentos em uma empresa de baterias.

Já a Perfin controla fundos de investimento, alguns deles voltados a ativos em energia, incluindo linhas de transmissão. O aporte na Comerc será feito por fundos da gestora que têm desenvolvido projetos de geração eólica e solar.

A associação ajudará a Perfin a garantir a comercialização da produção desses ativos de geração, enquanto permitirá a clientes da Comerc ter acesso a essa energia a preço competitivo, explicou Vlavianos.

"Como somos uma plataforma de venda de energia e eles são um fundo que investe em geração com uma eficiência muito grande, na hora em que você junta as duas empresas é como se estivesse somando um com um para dar cinco", brincou.

O negócio com a Perfin também dará força à Comerc para que a companhia busque mais oportunidades de expansão, inclusive com compras de ativos, acrescentou o executivo.

Esses possíveis negócios, no entanto, não vão mirar outras comercializadoras especializadas no chamado "trading" de energia, mas principalmente start-ups de tecnologia ou empresas que atuam com gestão dos clientes como a Comerc.

"Além do treinamento e contratação de pessoas, a gente quer usar esses recursos para trazer maior benefício e resultado para nosso negócio. Isso passa também por essa decisão de adquirir principalmente novas empresas, com novas tecnologias, e que sejam complementares à nossa visão de futuro", explicou o CEO.

O acordo com a Perfin não prevê alteração na gestão da Comerc e ocorre após parcerias anteriores entre o grupo e fundos da gestora em outros negócios, como recém-lançadas empresas de eficiência energética e venda de energia solar.

"Eles têm uma visão de longo prazo, então é um investimento sem nenhum mecanismo pré-definido de saída. É um casamento de longo prazo, a gente tem complementaridades muito grandes", resumiu Vlavianos.

Ele afirmou ainda que a Comerc sofreu "muito assédio" de outros possíveis investidores antes de selar a operação.

GÁS NO ALVO

Além dos negócios no mercado livre de eletricidade, a Comerc quer ter uma forte presença no segmento de gás natural, ao aproveitar espaços abertos por uma reforma regulatória na indústria do energético apoiada pelo governo.

Um novo marco regulatório aprovado pelo Congresso para o gás neste mês, que aguarda sanção do presidente Bolsonaro, deve ajudar a dinamizar no médio e longo prazos operações no mercado livre do insumo, inclusive atraindo empresas de comercialização que já atuam no setor elétrico, segundo especialistas.

"A gente tem uma expectativa de que seremos uma grande comercializadora de gás", disse Vlavianos, ao ser questionado sobre o potencial do segmento. "Em três a cinco anos vamos ver esse mercado realmente pulsando."

(Por Luciano Costa)