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Fazer "mais e mais rápido" na política monetária reduz intensidade do ajuste total, diz Campos Neto

25/03/2021 15h07

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira que quando o Comitê de Política Monetária (Copom) fala em normalização da política monetária se refere a caminhar em direção ao juro neutro e acrescentou que se o colegiado fala em normalização parcial "significa que nós não entendemos que esse movimento deva acontecer agora".

"O ajuste nós temos descrito como ajuste parcial e temos dito que o ajuste mais célere nos faz crer que na verdade fazer mais, e fazer mais rápido, faz com que a intensidade total deva ser menor", disse Campos Neto em entrevista à imprensa para comentar o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de março.

Ao elevar os juros básicos em 0,75 ponto percentual na última semana, para 2,75%, o Copom afirmou em comunicado que estava iniciando "um processo de normalização parcial, reduzindo o grau extraordinário do estímulo monetário". Também indicou que fará novo aperto de 0,75 ponto em maio, salvo uma mudança significativa nas projeções de inflação ou no balanço de riscos.

Campos Neto reforçou a mensagem sobre o próximo movimento do Copom nesta quinta-feira. "Fomos bastante transparentes e claros no sentido de que teria que ter alguma coisa muito fora do nosso cenário para que o ajuste fosse diferente, fosse acima de 0,75. Obviamente que poderia ser abaixo também, dependendo do cenário, mas deixamos bem claro que teria que ser uma situação bastante atípica", afirmou.

Segundo Campos Neto, quando a Selic chegou ao patamar de 2% o BC tinha um cenário de crescimento e inflação que não se concretizou, com a atividade no último trimestre do ano vindo acima das expectativas.

"Nós entendemos que precisamos fazer essa normalização parcial em parte porque o juro de 2% estava dentro de um entendimento de um cenário que não ocorreu, por isso normalização parcial", afirmou.

Questionado se a alta do juro este mês, que veio acima do esperado pelo mercado, já seria um reflexo da sanção da lei que garantiu autonomia operacional ao Banco Central, Campos Neto negou, ressaltando que o BC sempre teve autonomia para agir e que o presidente Jair Bolsonaro nunca manifestou a ele sua opinião sobre o nível da taxa de juros.

(Reportagem adicional de Patrícia Vilas Boas)