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Fed, Copom e reforma tributária corroboram acomodação do Ibovespa em junho após máximas históricas

30/06/2021 17h33

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou junho com performance positiva discreta, distante dos níveis do começo do mês, quando superou os 131 mil pontos pela primeira vez na sua história, apoiado em expectativas de retomada das economias e fluxo de capital externo para a bolsa paulista.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,41%, a 126.801,66 pontos, nesta quarta-feira, longe dos recordes do último dia 7 (de 130.776,27 no fechamento e 131.190,30 no intradia), mas ainda com desempenho positivo de 0,46% no mês.

As altas do Ibovespa em junho foram lideradas por Via Varejo ON, com +21,65%; Braskem PNA, com +18,93%; e CVC Brasil ON, com +15,85%. Na ponta de baixa, os destaques foram Gol PN, com -14,36%; Cielo ON, com -13,54%; e RD ON, com -12,21%.

O desempenho do Ibovespa no mês ainda assegurou um ganho de 8,7% no segundo trimestre, com a primeira metade do ano encerrando com alta de 6,54%.

Uma projeção do Federal Reserve antecipando para 2023 a primeira alta de juros nos Estados Unidos, bem como a perspectiva de uma Selic mais elevada no Brasil neste ano, antes do que se esperava, corroboraram a acomodação no pregão brasileiro.

"A recuperação econômica continua a todo vapor no Brasil e no mundo", afirmou o diretor de investimentos da Reach Capital, Ricardo Campos, acrescentando que isso prejudica o cenário de estímulos fiscais e monetários em abundância.

Nos EUA, citou, se iniciou a discussão de quando o Fed subirá os juros e reduzirá a compra de títulos, enquanto no Brasil o BC anunciou que levará a taxa Selic ao patamar neutro ainda esse ano. Ao mesmo tempo, a China tem anunciado controle de preços de commodities e políticas mais contracionistas.

"O contexto é de crescimento vigoroso no mundo e preocupação dos BCs com o excesso de demanda e a consequente inflação de forma que o ciclo de crescimento se prolongue", acrescentou, avaliando que essa dinâmica ditará em boa medida a direção dos preços de ativo de risco no próximo semestre.

Os últimos pregões do mês ainda refletiram a reação a mudanças tributárias propostas pelo governo brasileiro, incluindo aumento do limite de isenção do IR a pessoas físicas e redução da alíquota sobre empresas, mas taxação de dividendos e o fim do benefício fiscal de juros sobre o capital próprio.

Do ponto de vista do acionista, afirmaram estrategistas do Itaú BBA Marcelo Sa e Matheus Marques em relatório encaminhado a clientes nesta semana, a redução dos impostos sobre a empresas não seria suficiente para compensar o fim do mecanismo de JCP e a tributação sobre dividendos.

Eles acrescentaram, contudo, que este debate é muito complexo e que acreditam que pode haver mudanças significativas no projeto antes de ser colocado em votação.

A cena política continuou sendo monitorada, particularmente a CPI da Covid e suspeitas de irregularidades envolvendo o processo para a importação da vacina indiana Covaxin. Nesta semana, o Ministério da Saúde decidiu suspender o contrato de aquisição da vacina.

Em paralelo, contudo, o segmento Bovespa continuou com fluxo positivo de estrangeiros no mês, com as entradas superando as saídas em 16,2 bilhões de reais até o dia 28 de junho, uma aceleração frente ao saldo de maio, que ficou superavitário em 12,2 bilhões de reais.

Nesta quarta-feira, o volume financeiro no pregão brasileiro somou 32 bilhões de reais.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)