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Copom estará pronto para ajustar aperto monetário caso choque inflacionário exija, diz Campos Neto

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto - Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto Imagem: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Luana Maria Benedito

22/04/2022 09h12

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o Comitê de Política Monetária (Copom) estará pronto para ajustar o tamanho de seu ciclo de aperto no caso de choques inflacionários maiores ou mais persistentes do que o esperado.

Em apresentação em reuniões com investidores organizadas pelo Bank of America e pela XP Investimentos, Campos Neto disse que o Copom "avalia que o momento exige serenidade para avaliar o tamanho e a duração dos choques atuais", e que "persistirá em sua estratégia até que o processo de desinflação e a ancoragem das expectativas em torno de suas metas se consolide".

Ele, que está em Washington para reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, também repetiu previsões anteriores de que o Banco Central elevará a taxa Selic em 1 ponto percentual em sua próxima reunião, ante patamar atual de 11,75%.

"O Copom ressalta que seus futuros passos de política monetário poderão ser ajustados para garantir a convergência da inflação para suas metas e dependerá da evolução da atividade econômica, no balanço de riscos e nas expectativas e projeções de inflação para o horizonte relevante à política monetária", afirmou.

Campos Neto já havia indicado recentemente que o BC estaria aberto a analisar seu cenário de política monetária, depois que a divulgação da maior alta do IPCA para março em 28 anos turbinou apostas no mercado de que o ciclo de aperto iniciado em 2021 não será encerrado em maio próximo, como o presidente da autarquia chegou a indicar no final do mês passado.

Na apresentação divulgada pelo BC, Campos Neto disse que o choque de oferta do conflito na Ucrânia tem potencial de exacerbar as pressões inflacionárias tanto em países emergentes quanto desenvolvidos, e afirmou que o impacto de curto prazo da crise energética decorrente da guerra envolve desafios elevados para transição a uma economia verde.