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Presidente do BC prevê que cartão de crédito deixará de existir em breve

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto - Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto Imagem: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

12/08/2022 10h37Atualizada em 12/08/2022 13h10

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira acreditar que os cartões de crédito deixarão de existir em breve devido ao avanço do sistema de open finance, por meio do qual clientes autorizam que seus dados financeiros sejam compartilhados com diferentes instituições.

O open finance vem sendo implementado em fases pelo BC desde 2021.

Falando em evento sobre criptomoedas, Campos Neto projetou que, com o novo sistema, os usuários passarão a controlar todos os aspectos de sua vida financeira em um "integrador" em seu aparelho celular, em vez de ter vários aplicativos de diferentes bancos.

Isso permitirá o desenvolvimento de produtos de gestão de caixa para pessoas físicas, e que os usuários escolham entre fazer pagamentos com o Pix por débito ou crédito, acrescentou ele.

"Esse sistema elimina a necessidade de ter cartão de crédito. Acho que cartão de crédito vai deixar de existir em algum momento em breve," afirmou Campos Neto, destacando que os bancos já começaram a usar Pix para oferta de crédito.

O presidente do BC avaliou que o Pix pode se expandir "pelo menos" para a América Latina, mas disse que o Canadá também mostrou interesse no sistema.

CRIPTO

Campos Neto afirmou ainda não concordar com a necessidade de regulação pesada dos criptoativos. No entanto, ele destacou estar preocupado com a concentração da custódia de criptoativos, acrescentando que hoje 80% desses ativos estariam custodiados em quatro empresas.

Ele também disse estar preocupado com o risco de concentração de transações, com "uma ou duas plataformas detendo 20% a 30% do mercado".

De acordo com Campos Neto, a regulação no Brasil irá pelo caminho de garantir que as criptomoedas tenham transparência na maneira como são negociadas, criadas e transacionadas.