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BC deve manter Selic em 13,75% no próximo Copom à espera de evidência clara de desinflação, dizem economistas

28/04/2023 11h45

Gabriel Burin

BUENOS AIRES (Reuters) - A taxa básica de juros Selic deve permanecer inalterada pela sexta reunião consecutiva de política monetária do Banco Central na próxima semana, enquanto o BC aguarda uma prova inequívoca de desinflação antes do possível início de um ciclo de flexibilização no terceiro trimestre, mostrou uma pesquisa da Reuters.

O BC tem mantido a taxa Selic em 13,75%, maior patamar desde 2017, desde agosto, depois de aumentá-la agressivamente do menor nível histórico de 2,0% atingido na era da pandemia. Tendências convincentes da inflação ao consumidor medida pelo IPCA têm sido difíceis de discernir.

Enfatizando as expectativas de inflação desancoradas, o comitê do BC responsável por definir a taxa de juros, o Copom, deve manter a Selic estável em sua reunião que se encerra na próxima quarta-feira, de acordo com todos os 40 economistas entrevistados de 24 a 27 de abril.

Essa postura "hawkish", ou dura no combate à inflação, busca garantir que a inflação caia até o final de 2023 em direção à meta de 3,25% --com margem de 1,5 ponto percentual-- definida pelo Comitê Monetário Nacional (CMN), formado pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, e pelos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou que deseja aumentar a meta de inflação, medida que poderia deixar o Copom sem argumentos para manter os juros em um nível que as autoridades têm criticado como muito alto, sufocando o crescimento econômico.

Mas Lula e seus ministros estão enfrentando resistência de Campos Neto, que desaconselhou a mudança da meta, dizendo que isso pode levar a um afrouxamento monetário prematuro. Muitos analistas concordam com sua opinião.

"As expectativas de inflação desancoradas devem limitar o espaço para corte da taxa Selic nos próximos meses", disse Alexandre Lohmann, economista da Constancia Investimentos.

"No entanto, se o governo decidir não aumentar a meta de inflação na reunião do CMN em junho, podemos ver uma reversão das expectativas, abrindo caminho para um corte de juros em agosto ou setembro."

Na pesquisa, uma maioria de 19 de 32 analistas previu cortes de juros no terceiro trimestre, com uma mediana de 13,25% para a Selic no final do período, 50 pontos-base abaixo da estimativa de consenso de 13,75% de março.

Ainda assim, 13 entrevistados não previram mudanças na taxa no trimestre de julho a setembro, refletindo uma perspectiva cautelosa. A projeção de final de ano para a Selic ficou em 12,50%, 25 pontos-base abaixo do que na pesquisa anterior.

As medidas de inflação continuam a oferecer sinais mistos. Por um lado, o aumento anual dos preços ao consumidor desacelerou para o nível mais baixo desde 2020, de acordo com o IPCA-15, prévia do IPCA.

Os núcleos dos dados mensais permanecem elevados, no entanto, impulsionados pelo aumento dos preços da gasolina e pelo restabelecimento dos impostos sobre os combustíveis que fazem parte da iniciativa fiscal de Lula para pagar por programas sociais ampliados.