Ibovespa cai com mau humor externo e recuo maior que esperado da indústria

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta terça-feira, tendo como pano de fundo um ambiente desfavorável a ativos de risco no exterior, em meio a dados de atividade mais fracos na China e alta nos rendimentos de títulos do Tesouro norte-americano, enquanto no Brasil a indústria encolheu mais do que o esperado.

Às 10h29, o Ibovespa caía 0,57%, a 117.101,53 pontos. O volume financeiro somava 1,85 bilhão de reais.

Na China, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) de serviços do Caixin/S&P Global caiu para 51,8 em Agosto, de 54,1 em julho, a leitura mais baixa desde dezembro, quando a Covid-19 confinou muitos consumidores às suas casas. A marca de 50 separa expansão de contração da atividade.

De acordo com a equipe da XP Investimentos, os dados divulgados na China mostram mais evidências de uma atividade econômica mais fraca do que o esperado naquele país.

"O mercado está cauteloso com dados econômicos e próximos passos do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) após performance positiva das bolsas na semana passada", acrescentaram os estrategistas da XP em relatório enviado a clientes mais cedo.

No Brasil, dados divulgados pelo IBGE mostraram que a produção industrial do país teve queda de 0,6% em julho na comparação com o mês anterior. Na comparação ano a ano, contraiu 1,1%. As expectativas em pesquisa da Reuters apontavam quedas de 0,3% e de 0,5%, respectivamente.

Ainda no radar, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira ser importante a política monetária perseverar em um momento que classificou como “last mile” do combate à inflação, argumentando que o aumento de preços pode voltar se isso não for feito.

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DESTAQUES

- PETROBRAS PN subia 0,28%, a 32,38 reais, em dia de alta dos preços do petróleo no exterior, com o barril de Brent subindo 1,42%. A companhia anunciou nesta terça-feira que fez sua primeira compra de créditos de carbono.

- VALE ON mostrava declínio de 0,43%, a 69,1 reais, conforme os futuros do minério de ferro recuaram na China, com o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian da China encerrando as negociações do dia com queda de 0,6%. Na Bolsa de Cingapura, porém, o vencimento mais negociado subiu 0,7%.

- ITAÚ UNIBANCO PN recuava 0,62%, a 27,23 reais, enquanto BRADESCO PN caía 0,94%, a 14,76 reais. Na véspera, a Câmara dos Deputados aprovou regime de urgência para o projeto de lei que estabelece limites para a taxa de juros cobrada no cartão de crédito.

- GPA ON cedia 1,01%, a 4,9 reais. O varejista anunciou na segunda-feira que vendeu sua propriedade localizada na Barra da Tijuca, no Estado do Rio de Janeiro, onde antes funcionava um hipermercado Extra, por 247 milhões de reais.

- VIA ON tinha baixa de 3,17%, a 1,22 real após anúncio de oferta subsequente primária de ações, com bônus de subscrição, que espera precificar em 13 de setembro. A varejista já havia informado sobre a contratação dos bancos para um potencial follow-on.

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- TENDA ON, que não está no Ibovespa, registrava queda de 3,38%, a 12,3 reais, após a construtora precificar na noite da véspera seu follow-on em 12,50 reais por ação, levantando 234 milhões de reais em oferta pública primária de ações.

- AMERICANAS ON, que está em processo de recuperação judicial, recuava 3,13%, a 0,93 real. Na segunda-feira, a varejista e o ex-presidente-executivo Miguel Gutierrez trocaram acusações sobre a responsabilidade da fraude contábil que levou o grupo a fazer um dos maiores pedidos de recuperação judicial da história.

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(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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