Vale Base Metals investirá US$10 bi na Indonésia na próxima década

Por Fransiska Nangoy

JACARTA (Reuters) - A Vale Base Metals está prevendo um investimento de 10 bilhões de dólares na Indonésia na próxima década para atender a demanda por metais como níquel e cobre visando a produção de veículos elétricos, disse nesta quinta-feira a presidente da empresa.

O investimento faz parte dos planos da companhia, de gastar de 25 bilhões a 30 bilhões de dólares em novos projetos no Brasil, Canadá e Indonésia nos próximos dez anos. A Vale Base Metals é a empresa controladora do negócio de Metais para Transição Energética da Vale.

O anúncio vai ao encontro do desejo indonésio de ser um centro global de materiais para a construção de baterias para veículos elétricos e até para a produção dos próprios carros. Maior economia do Sudeste Asiático, a Indonésia possui a mais ampla reserva mundial de minério de níquel, além de grande quantidade de cobre e bauxita para a produção de alumínio.

Por meio da subsidiária PT Vale Indonesia Tbk, a Vale Base Metals está construindo duas fábricas de lixiviação ácida de alta pressão (HPAL), em parceria com a chinesa Zhejiang Huayou Cobalt e outros parceiros.

A intenção é que as instalações produzam precipitado de hidróxidos mistos (MHP) a partir do níquel. O material é usado para construir baterias de veículos elétricos.

A Vale também fez parceria com a chinesa Shandong Xinhai Technology e uma unidade da China Baowu Steel Group para construir uma planta de ferro-níquel.

Os projetos aumentarão a capacidade de refino da Vale Indonesia das atuais 75 mil toneladas por ano para cerca de 300 mil toneladas, afirmou a CEO da Vale Base Metals, Deshnee Naidoo.

“Se todas as plantas derem certo, isso ocorrerá dentro de cinco a dez anos. É um grande investimento, para o qual estamos comprometidos”, afirmou Naidoo em entrevista dada nos bastidores do Fórum Indonésio de Sustentabilidade, em Jacarta.

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Como parte do projeto Pomalaa, a Vale está investindo 1 bilhão de dólares apenas nas minas, e já iniciou os trabalhos na fábrica de lixiviação ácida de alta pressão. A usina, que terá custo de 3,5 bilhões de dólares, será desenvolvida em conjunto com a Zhejiang Huayou Cobalt, com a montadora norte-americana Ford assumindo uma participação de 17% e atuando como facilitadora do financiamento, de acordo com a CEO.

Os trabalhos no projeto Sorowako, também de HPAL, já foram iniciados, para a produção de 60 mil toneladas de níquel MHP por ano.

“Estamos buscando parcerias para avançar ainda mais nesses projetos”, disse Naidoo, que não descartou se juntar a outras montadoras para alavancar os planos na Indonésia.

A Vale também está explorando cobre em Songa Ocidental, que tem potencial de rivalizar em tamanho com a mina Grasberg, localizada no leste do país e segunda maior do mundo, operada por uma unidade da Freeport McMoran.

A decisão de investimento para o projeto do cobre deve ocorrer ao redor de 2026.

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