Ibovespa avança com aval externo após dado de inflação nos EUA

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa avançava nesta sexta-feira, após dados nos Estados Unidos mostrarem desaceleração da inflação, o que trazia conforto em um momento de preocupação com a possibilidade de juros mais altos por mais tempo na maior economia do mundo.

Às 10:55, o Ibovespa subia 0,96%, a 116.839,82 pontos, desempenho que assegura até momento um resultado positivo no acumulado da semana e do mês.

Nos EUA, os gastos dos consumidores aumentaram em agosto, mas um dado de preços acompanhado pelo Federal Reserve mostrou desaceleração no núcleo, que exclui alimentos e energia.

O índice PCE subiu 0,4% em agosto, após alta de 0,2% em julho, mas o núcleo aumentou 0,1%, de avanço de 0,2% no mês anterior. Nos 12 meses, a alta no índice cheio passou de 3,4% para 3,5%, mas o aumento no núcleo passou de 4,3% para 3,9%.

Em Wall Street, o S&P 500 avançava 0,64%, tendo como pano de fundo também alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano.

"Isso traz um respiro", afirmou o superintendente da Necton/BTG Pactual, Marco Tulli, ponderando, contudo, que ainda há muita preocupação com o movimento de política monetária nos EUA. "Mas o dado de hoje alivia um pouco a pressão", reforçou.

Investidores também continuam acompanhando as negociações para alcançar um acordo sobre os níveis de financiamento do governo dos Estados Unidos para o ano fiscal completo que começa em 1º de outubro.

O movimento nos Treasuries reverberava nas taxas dos contratos de DI, o que beneficiava ações de empresas sensíveis a juros, com o índice do setor de consumo subindo 1,93% e o do setor imobiliário em alta de 2,58%.

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Na cena doméstica, dados do Banco Central mostraram que o déficit nominal do Brasil, que inclui despesas com o pagamento da dívida pública, foi a 7,3% do PIB nos 12 meses encerrados em agosto -- pior desempenho desde maio de 2021.

Em paralelo, a taxa de desemprego atingiu 7,8% nos três meses encerrados em agosto, a mais baixa desde o trimestre até fevereiro de 2015, quando foi de 7,5%. O resultado ficou em linha com as expectativas.

DESTAQUES

- CASAS BAHIA ON subia 6,78%, a 0,63 reais, buscando suporte no alívio nas taxas dos DIs para se recuperar após renovar mínimas históricas na semana. MAGAZINE LUIZA ON avançava 3,41%, a 2,12 reais.

- BANCO DO BRASIL ON caía 0,40%, a 47,45 reais, em meio a ajustes após forte valorização na véspera. ITAÚ UNIBANCO PN ganhava 0,22%, a 27,31 reais, e BRADESCO PN valorizava-se 0,63%, a 14,34 reais,

- VALE ON subia 1,09%, a 67,43 reais, buscando manter o fôlego da véspera conforme a China entra em um feriado de uma semana.

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- PETROBRAS PN avançava 0,55%, a 34,64 reais, ainda orbitando máximas históricas, em dia de alta dos preços do petróleo, com o Brent subindo 0,19%.

- CPFL ENERGIA ON recuava 1,17%, a 33,76 reais, com outros papéis de elétricas também na coluna negativa do Ibovespa, o que fazia o índice do setor subir apenas 0,4%, entre os piores desempenhos setoriais.

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