Ibovespa salta 2% com dados mais fracos de emprego nos EUA e ajuste após feriado

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa disparava ao redor de 2% nesta sexta-feira, acompanhando Wall Street após dados de trabalho endossarem apostas de fim de ciclo de alta de juros nos Estados Unidos, enquanto um ajuste positivo após feriado local e uma reação à decisão do Copom também influenciavam positivamente a sessão.

Vale e Itaú Unibanco eram as maiores influências para a alta do Ibovespa. Suzano era o destaque de baixa.

Às 11:29 (de Brasília), o Ibovespa subia 1,94%, a 117.283,12 pontos. Na máxima, o índice foi a 118.159,07 pontos. O volume financeiro somava 6,9 bilhões de reais, e pode ficar menor que a média por conta do feriado na quinta-feira.

Na semana, o Ibovespa caminhava para alta de 3,7%, o que seria o melhor desempenho semanal desde o início de junho.

"A abertura já estava desenhada para ser positiva depois das fortes altas das ADRs (brasileiras) em Nova York ontem. Aí tivemos o 'payroll' mais fraco, levando à queda das taxas de juros internacionais e contribuindo para uma segunda pernada de alta", disse Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura.

A criação de empregos fora do setor agrícola nos EUA totalizou 150.000 vagas em outubro, divulgou o Departamento de Trabalho mais cedo, abaixo da expectativa de economistas em pesquisa da Reuters de 180.000 vagas. Ainda houve uma revisão para baixo do dado anterior. Além disso, a taxa de desemprego veio um pouco maior que a esperada, e os ganhos médios por hora desaceleraram frente a setembro.

Em Wall Street, os principais índices acionários avançavam entre cerca de 0,6% e 0,9%, com a leitura de que os dados de emprego reiteram expectativa de que o Federal Reserve tenha encerrado o ciclo de alta de juros. Uma queda nas ações da Apple após projeção mais fraca limitava os ganhos.

Na véspera, enquanto os mercados locais estavam fechados por causa do feriado do Dia de Finados, os principais índices em Wall Street subiram mais de 1%, refletindo apetite por risco após decisão do Fed na quarta-feira.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, também na quarta-feira, mas já após o fechamento, cortar a taxa básica Selic em 0,5 ponto percentual, para 12,25% ao ano, e afirmou que prevê reduções no mesmo ritmo nas próximas reuniões, apesar de ter citado um ambiente internacional adverso.

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Analistas do Citi destacaram uma decisão em linha com que era amplamente esperado, e escreveram, em relatório no mesmo dia, que o comunicado deu "ainda mais conforto de que o Copom não mudará o ritmo de corte nas próximas reuniões".

Luis Novaes, analista da Terra Investimentos, disse que a sinalização de manutenção no ritmo de corte de juros torna a perspectiva com relação ao prosseguimento do ciclo de baixa mais positiva e reduz as incertezas quanto à taxa terminal.

Desdobramentos sobre a pauta fiscal no Brasil e a reforma tributária também seguiam no radar dos investidores.

DESTAQUES

- VALE ON subia 1,39%, a 71,30 reais, diante de nova alta dos futuros do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China. O contrato da commodity para janeiro encerrou a sessão do dia com alta de 0,43%, a 924,5 iuanes (126,38 dólares) a tonelada. Na véspera, o minério de ferro avançou 1,6% em Dalian.

- PETROBRAS PN ganhava 0,71%, a 35,38 reais. O petróleo operava em queda nesta sexta-feira, porém, na véspera, a commodity disparou quase 3% diante de maior apetite ao risco nos mercados após decisão do Fed. De pano de fundo para o papel, o Citi elevou o preço-alvo dos ADRs da petrolífera de 14 para 15 dólares.

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- ASSAÍ ON, que divulgou resultado trimestral no início da semana, saltava 7,04%, a 11,86 reais, estando entre as maiores altas do Ibovespa junto com uma série de ações de crescimento, com alívio nos juros futuros. PETZ ON disparava 5,97% e a construtora EZTEC ON ganhava 3,68%.

- VIBRA ON exibia queda de 0,5%, a 20,05 reais, entre as poucas ações do Ibovespa no vermelho, mesmo após a companhia fechar acordo de 360 milhões de reais para encerrar litígios com a Forte Comércio.

- AMERICANAS ON, que não está no Ibovespa, avançava 1,2%, a 0,84 real, após a varejista entrar em período de exclusividade com um dos interessados que fez oferta não vinculante de compra do Natural da Terra. A empresa não identificou a oferta. O jornal Valor Econômico afirmou que a proponente se trata da rede de supermercados St Marche.

- ITAÚ UNIBANCO PN mostrava alta de 2,28%, para 27,80 reais, enquanto BRADESCO PN subia 3,73%, a 14,63 reais, com as ações de bancos acompanhando clima positivo na bolsa.

- SUZANO ON caía 0,82%, a 51,03 reais, principal baixa do Ibovespa na sessão, em meio à queda firme do dólar ante o real, o que impacta negativamente papéis de empresas exportadoras.

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(Por André Romani)

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