Dólar ronda estabilidade com exterior ameno em meio a esperanças sobre Fed

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar tinha pouca alteração frente ao real nesta segunda-feira, de olho na leve desvalorização da moeda no mercado externo em meio a esperanças de que o Federal Reserve já tenha encerrado seu ciclo de altas de juros.

Às 10:10 (horário de Brasília), o dólar à vista recuava 0,04%, a 4,8951 reais na venda, permanecendo próximo do menor patamar de encerramento desde 20 de setembro atingido no final da semana passada.

Na B3, às 10:10 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,11%, a 4,9100 reais.

"Os mercados iniciam a semana sem direção definida... A percepção majoritária dos investidores é de que o Fed não deverá mais elevar as taxas de juros, ainda que a cautela prevaleça em relação aos próximos passos da autoridade monetária", disse em relatório o departamento de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco.

Na semana passada, o Fed manteve inalterada sua taxa básica de juros, destacando as condições financeiras mais restritivas enfrentadas pelas empresas e pelas famílias como um fator que pode fazer o papel de outros aumentos nos custos dos empréstimos.

Além disso, dados de sexta-feira mostraram que o crescimento do emprego nos Estados Unidos desacelerou mais do que o esperado em outubro, com a criação de vagas não agrícolas totalizando 150 mil no mês passado, ante expectativa de 180 mil. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego subiu de 3,8% para 3,9%.

"O conjunto de dados reforça um quadro de desaceleração gradual no mercado de trabalho, compatível com a percepção do Fed comunicada na última reunião de política monetária, o que reduz pressões para altas adicionais de juros", disse o Bradesco.

Na sessão de sexta-feira, que teve volume reduzido por causa do feriado do Dia de Finados da véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8972 reais na venda, em baixa de 1,53%, maior recuo percentual desde 23 de agosto e menor patamar para encerramento desde 20 de setembro, na esteira dos dados dos EUA.

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Enquanto isso, operadores continuavam citando nesta segunda-feira alguma cautela em relação às perspectivas fiscais do Brasil, em meio a temores de que a meta de déficit primário zero no ano que vem seja alterada.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira que a arrecadação federal não deve aumentar "nem 1%" neste ano, apesar de apontar que o Produto Interno Bruto do país deve crescer 3% ao fim de 2023.

Durante evento do BTG Pactual, Haddad ainda disse que uma série de "meteoros" do passado, como incentivos fiscais a governos estaduais e a pendência de precatórios, são os responsáveis pela dificuldades na receita, destacando que representam um valor importante que impactam o marco fiscal.

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