Prejuízo da Casas Bahia salta na base anual para R$836 mi no 3° tri

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - A Casas Bahia registrou prejuízo líquido de 836 milhões de reais no terceiro trimestre, perda 311,8% maior do que a registrada um ano antes, com queda de vendas e impactos de sua nova estratégia de negócios, conforme balanço divulgado nesta quarta-feira.

A companhia também atualizou o mercado sobre o andamento de seu plano de reestruturação para 2025, com possibilidade de fechamento de um número menor de lojas ante o previsto inicialmente, além de potenciais ganhos adicionais com receitas e custos.

O plano foi anunciado em agosto e engloba redução de estoques, foco de vendas em produtos considerados essenciais, como eletrodomésticos, e mudança no financiamento do crediário, além de demissões e fechamento de lojas.

Sem considerar alguns impactos dessa reestruturação, como um saldão para reduzir estoques, além de uma provisão ligada ao cartão co-branded, o prejuízo da Casas Bahia no trimestre foi de 376 milhões de reais.

Sérgio Leme, diretor de cadeia de suprimentos, relações com investidores, comunicação e ESG da Casas Bahia, disse à Reuters que as vendas de estoques de produtos com giro baixo, como alimentos e bebidas, ocorreram em uma velocidade maior do que a empresa imaginava no terceiro trimestre, o que impactou o balanço.

"É bom, por um lado, porque a gente monetiza, coloca esse caixa para dentro da companhia", disse ele. "Porém, a gente tem um impacto ao fazer isso, porque significa que temos que fazer um desconto maior do que daríamos para por esse estoque para fora, então causa um impacto nos números dos resultados".

A Casas Bahia disse em agosto que mirava reduzir os estoques neste ano em 1 bilhão de reais, de modo a tornar mais leve sua estrutura. No encerramento do terceiro trimestre, esse corte de estoques somou 780 milhões de reais frente ao fim de junho.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da empresa no trimestre ficou negativo em 66 milhões de reais, após resultado positivo de 390 milhões de reais em igual etapa de 2022, com margem Ebitda ajustada de -1%, ante 5,6% um ano antes.

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A Casas Bahia, grupo que também detém a marca Ponto, teve receita líquida de 6,6 bilhões de reais, queda de 6% frente ao mesmo período do ano anterior. As vendas medidas pelo indicador GMV caíram 4,1% no total, sendo que nas lojas físicas, principal operação da companhia, ficaram praticamente estáveis.

As despesas com vendas, gerais e administrativas somaram 1,6 bilhão de reais no trimestre, recuo de 10,4% ano a ano, enquanto o resultado financeiro ficou negativo em 679 milhões de reais entre julho e setembro.

A companhia registrou consumo de caixa de 377 milhões de reais no período. No entanto, a empresa também divulgou uma versão ajustada do número, uma vez que entende que "parte da redução do saldo de caixa vem da redução de limites e não propriamente de um consumo de caixa da operação". Nessa base, o caixa ficou praticamente estável no trimestre.

A Casas Bahia realizou uma captação de mais de 600 milhões de reais em setembro via oferta de ações, e anunciou nesta quarta-feira captação de 500 milhões de reais com bancos no trimestre atual.

"Isso nos dá tempo para caminhar com o nosso processo de reestruturação. E o tempo é importante, porque vemos a maturação de todas as iniciativas, seja de melhoria de rentabilidade, crescimento de receita e redução de custo" no segundo semestre de 2024, disse o executivo.

ATUALIZAÇÃO DO PLANO

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A Casas Bahia afirmou que já fechou 38 lojas como parte de seu novo plano de reestruturação, de 50 a 100 unidades previstas anteriormente. Leme disse, no entanto, que essa previsão inicial pode não se cumprir.

O executivo afirmou que a renegociação de aluguéis de algumas lojas ou a retomada de performance de outros pontos fez com que houvessem apenas os 38 fechamentos até agora. "Porém, continuamos no quarto trimestre com a barra bem alta", disse.

A Casas Bahia também disse ter identificado novas oportunidades de impacto adicional de até 500 milhões de reais no âmbito do plano de reestruturação, através de frentes de receita de serviços e redução de custos indiretos.

Leme afirmou que esses serviços envolvem, por exemplo, a garantia de produtos, enquanto os custos englobam desembolsos como energia elétrica. Ele acrescentou que podem ocorrer também demissões adicionais, sem detalhar quantas.

A Casas Bahia afirmou que já migrou categorias de produtos com margens negativas para seu marketplace, outro ponto importante do plano, e demitiu 6 mil pessoas.

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