Resposta de Israel em Gaza é tão grave quanto ataque do Hamas, diz Lula

Por Eduardo Simões e Maria Carolina Marcello

(Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que a resposta de Israel ao ataque do grupo militante Hamas em 7 de outubro é "tão grave" quanto a ação -- a que chamou de "terrorismo" -- da organização palestina, por considerar que as forças israelenses estariam matando civis "sem nenhum critério".

Em cerimônia de sanção da atualização da Lei de Cotas, no Palácio do Planalto, Lula destacou a operação do governo para o resgate de 32 brasileiros na Faixa de Gaza, afirmando que as pessoas foram retiradas da região "com muito sacrifício, porque dependia da boa vontade de Israel".

"Nessa guerra, sabe, depois do ato provocado – e eu digo: ato de terrorismo do Hamas, que provocou um ato — as consequências, a solução do Estado de Israel é tão grave quanto foi a do Hamas, porque eles estão matando inocentes, sabe, sem nenhum critério", disse o presidente.

"Jogar bomba onde tem criança, onde tem hospital, a pretexto de que um terrorista está lá, não tem explicação. Primeiro vamos salvar as crianças, as mulheres, aí depois faz a briga com quem quiser fazer", acrescentou.

A guerra teve início em 7 de outubro, quando homens armados do Hamas romperam a cerca da fronteira da Faixa de Gaza com o sul de Israel. Segundo Israel, o grupo palestino matou 1.200 pessoas e sequestrou 240, no pior dia de violência da história de Israel.

Os israelenses responderam com um cerco e ataques aéreo, marítimo e terrestre ao enclave densamente povoado e controlado pelo Hamas, que, de acordo com autoridades de saúde de Gaza, já matou mais de 11 mil palestinos, incluindo, até o momento, mais de 4.600 crianças.

Ao comentar a guerra, Lula disse desconhecer conflitos em que "crianças fossem vítimas preferenciais".

O presidente fez questão de agradecer a atuação do Itamaray e do Ministério da Defesa na operação de resgate dos brasileiros, citando especificamente a Aeronáutica por ter realizado "um trabalho excepcional".

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Após algumas tentativas frustradas na semana passada, o grupo de brasileiros que aguardava permissão para deixar a Faixa de Gaza cruzou a fronteira com o Egito em Rafah no domingo e deve chegar ao Brasil na noite desta segunda-feira.

O grupo terá à disposição serviços de abrigo, documentação e alimentação, além de apoio psicológico, cuidados médicos e imunização, de acordo com o governo. Eles ficarão dois dias hospedados em Brasília.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, Lula deve acompanhá-lo na recepção dos brasileiros em Brasília. Em entrevista à GloboNews, o ministro fez coro ao presidente, condenou o "ataque terrorista" que desencadeou o conflito e também defendeu a instituição de corredores humanitários e o respeito ao direito internacional.

Questionado, o ministro disse esperar que haja "clima" no Conselho de Segurança da ONU para a aprovação de uma resolução que possa instituir pausas humanitárias.

"Espero que sim, que o clima seja mais propício, e sobretudo que a comunidade internacional tenha se dado conta da gravidade da situação, da situação humanitária, da situação de direitos humanos e de direito internacional, direito humanitário internacional, todas as áreas do direito internacional", disse o chanceler à emissora.

"Eu espero que tenha havido uma conscientização de que nós não podemos continuar assistindo ao massacre que está acontecendo."

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(Reportagem de Eduardo Simões, em São Paulo; e Maria Carolina Marcello, em Brasília)

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