Carga de energia do Brasil bate recorde pelo 2º dia seguido durante onda de calor; térmicas são acionadas

Por Letícia Fucuchima e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A carga de energia elétrica no Brasil alcançou recorde pelo segundo dia consecutivo nesta terça-feira, impulsionada pelas altas temperaturas verificadas em todo o país, que aumentam o uso de equipamentos de refrigeração, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A demanda instantânea histórica de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) de 101,475 gigawatts (GW) foi alcançada às 14h20 desta terça, superando a marca anterior de 100,955 GW registrada na tarde da véspera, quando o montante ultrapassou pela primeira vez a marca de 100 GW, disse o órgão.

O ONS vem observando uma tendência de elevado consumo de energia nos últimos meses, antes mesmo da chegada do verão, devido a ondas de calor que atingem o país.

O operador reiterou nesta terça-feira que "o SIN é robusto, seguro, possui uma ampla diversidade de fontes e está preparado para atender às demandas de carga e potência da sociedade brasileira".

Em meio ao calor intenso, que deve se estender até sexta-feira, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) -- com temperaturas superando os 40°C em algumas partes do país --, o ONS passou a esperar um crescimento de 11% para a carga de energia em novembro no comparativo anual, a 79,78 GW, bem acima da alta de 7,6% estimada inicialmente para o mês.

Para atender ao aumento do consumo de energia, o operador nacional tem acionado mais usinas termelétricas nos últimos dias, especialmente no período da tarde, disse Roberto Brandão, pesquisador sênior do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo ele, esse despacho termelétrico tem ocorrido para reforçar a geração de energia no momento em que a carga é mais elevada e em que a geração solar começa a recuar, com o cair da tarde.

"Somente termelétricas com tempo de arranque e rampa relativamente rápidos são usadas para esse tipo de operação", explicou Brandão, avaliando ainda que o maior acionamento das térmicas não deve mudar, nesse momento, a bandeira tarifária.

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"Os montantes extras despachados no período da tarde são relativamente baixos e apenas por algumas horas", acrescentou.

A bandeira tarifária calculada pela agência reguladora Aneel tem se mantido verde desde meados do ano passado, o que significa que não há cobranças adicionais nas contas de luz dos consumidores, já que o cenário para a geração de energia se mostra confortável.

A tendência de maior acionamento de térmicas já se mostra positiva para os geradores da fonte. Na véspera, a Eneva disse ter boas perspectivas para o quarto trimestre, após ter acionado grande parte de seu parque termelétrico diante de forte calor no Brasil antes mesmo de o verão começar.

(Por Letícia Fucuchima, em São Paulo, e Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro)

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