Dólar segue exterior e cai mais de 1% com otimismo sobre Fed

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caiu acentuadamente frente ao real nesta segunda-feira, em linha com o comportamento da divisa no exterior em meio à visão de que o Federal Reserve já terminou de elevar os juros e pode começar a cortá-los no primeiro semestre de 2024.

A moeda norte-americana à vista fechou em queda de 1,09%, a 4,8523 reais na venda maior baixa diária desde 3 de novembro (-1,53%) e menor patamar de encerramento desde 2 de agosto (4,8051 reais).

O movimento do dólar ao longo da sessão acompanhou a fragilidade da divisa norte-americana no exterior, que por sua vez foi "reflexo do consenso por parte dos agentes do mercado de que os juros americanos não devem subir mais, movimento que ajuda na valorização das commodities e derruba o dólar no mercado de câmbio internacional", disse Jefferson Rugik, presidente-executivo da Correparti Corretora.

O índice do dólar frente a uma cesta de pares fortes recuava cerca de 0,50% no fim da tarde desta segunda-feira, em linha com nova baixa nos rendimentos dos Treasuries.

Os mercados descartaram o risco de novos aumentos de juros por parte do Fed e elevaram as apostas em cortes no primeiro semestre do ano que vem após uma série de indicadores econômicos norte-americanos mais fracos do que o esperado na semana passada, especialmente uma leitura de inflação que ficou abaixo das estimativas.

Ao mesmo tempo que justificam o fim das altas de juros, os dados também não acenderam o alerta para uma recessão na maior economia do mundo, uma notícia duplamente positiva para o apetite por risco global.

Juros mais baixos nos Estados Unidos costumam favorecer divisas de países com retornos mais elevados, como o Brasil.

"Continuamos a pensar que (ativos de) risco serão melhor negociados no final do ano e que o topo dos juros dos EUA já está aqui", avaliou o Citi em relatório a clientes nesta segunda-feira. "A volatilidade das taxas dos EUA tem se comportado bem, o que normalmente apoia o 'carry trade' (retorno de taxas de juros) dos mercados emergentes."

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Segundo o banco norte-americano, "o ambiente parece apoiar tanto os mercados de juros de mercados emergentes quando as moedas de mercados emergentes".

Enquanto isso, na cena doméstica, "o debate sobre a meta fiscal de 2024 deve continuar gerando ruído sobre o mercado de câmbio, embora acreditemos que este já tenha sido parcialmente digerido", disse Eduardo Moutinho, analista de mercados da Ebury, referindo-se a críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao objetivo estabelecido por sua equipe econômica de zerar o déficit primário no ano que vem.

Parte do governo e parlamentares chegaram a defender um afrouxamento do alvo com menções a possíveis metas de déficit de 0,25% ou 0,50% do PIB para o ano. Nos últimos dias, porém, membros do governo afirmaram que a meta de déficit zero em 2024 não será alterada, enfatizando a defesa pela aprovação de medidas que ampliem a arrecadação.

"Vemos espaço para o real continuar com a performance, com um ambiente mais construtivo para os eventos de risco (no exterior) nos próximos dias", completou Moutinho.

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