Taxas futuras de juros cedem com queda de rendimentos dos Treasuries e fiscal no foco

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira em baixa, em sintonia com o recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior, após a divulgação de dados fracos sobre o setor imobiliário dos EUA, enquanto no Brasil o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria pró-governo em julgamento sobre precatórios.

Ainda no início da sessão as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) se firmaram no território negativo, dando continuidade ao movimento predominante de novembro. Mais uma vez, o recuo era influenciado pelos Treasuries e pelo noticiário fiscal no Brasil.

Nos EUA, a queda dos yields dos títulos de dez anos, já vista mais cedo, foi reforçada pela divulgação dos dados do setor imobiliário às 12h. O Departamento do Comércio informou que as vendas de moradias novas caíram 5,6% em outubro, para uma taxa anual ajustada sazonalmente de 679.000 unidades.

Economistas consultados pela Reuters previam que as vendas de moradias novas, que representam uma pequena parcela das negociações de casas nos EUA, cairiam para uma taxa de 723.000 unidades em outubro. Já o ritmo de vendas de setembro foi revisado para baixo, para 719.000 unidades, em relação às 759.000 informadas anteriormente.

Os números reforçaram as avaliações de que o Federal Reserve tende a manter a taxa de juros no atual patamar no curto prazo, podendo iniciar o ciclo de cortes ainda no primeiro semestre de 2024. Durante a tarde, a curva de juros norte-americana precificava chances de mais de 50% de o Fed cortar sua taxa básica em maio do ano que vem.

No Brasil, os dados do setor imobiliário norte-americano reforçaram a tendência de baixa para os juros futuros, numa sessão em que o noticiário no âmbito fiscal também favoreceu.

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia vetado na íntegra o projeto que prorroga a desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia. O veto ocorreu em meio aos esforços de ajustes nas contas públicas liderados pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Nesta segunda-feira, os ministros do STF formaram maioria para permitir que o governo regularize o pagamento dos precatórios -- dívidas reconhecidas pela União em razão de sentenças judiciais -- até 2026, podendo se valer do uso de créditos extraordinários. O tema também vinha sendo acompanhado com atenção pela equipe de Haddad. O ministro do STF André Mendonça, no entanto, pediu vista e o julgamento foi interrompido.

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“Por enquanto, o governo está dando alguma sinalização de que está se esforçando para controlar o déficit fiscal. O veto à desoneração é bem-vindo, independentemente de ficar de pé ou não no Congresso”, comentou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior.

Ao mesmo tempo, segundo ele, o corte de juros nos EUA ainda no primeiro semestre de 2024 é “improvável”.

“Desde 1980, quando o Fed para de subir (juros), o (rendimento do) título de dez anos cai. Então, ele está seguindo o padrão. Mas aparentemente não deve cair tanto para abaixo de 4,30%. De certa forma, isso limita a queda dos (prêmios dos) DIs aqui também”, avaliou Faria Júnior.

No fim da tarde desta quinta-feira a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,41%, ante 10,444% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 10,085%, ante 10,172% do ajuste anterior.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,22%, ante 10,332%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,48%, ante 10,596%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,87%, ante 10,985%.

Perto do fechamento a curva a termo precificava em 94% as chances de o corte da Selic em dezembro ser de 0,50 ponto percentual. Já as chances de corte de 0,75 ponto percentual eram precificadas em 6%.

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Na terça-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o IPCA-15 de novembro, a ser avaliado com atenção pelo mercado.

Às 16:42 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 9,20 pontos-base, a 4,3924%.

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