Dólar fecha abaixo de R$4,90 após fala de Powell sobre inflação nos EUA

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista voltou a ser cotado abaixo dos 4,90 reais, com a moeda norte-americana fechando a sexta-feira em baixa no Brasil após comentários do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre a inflação nos Estados Unidos, que foram considerados amenos pelo mercado financeiro.

O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8813 reais na venda, em baixa de 0,69%. Na semana, a moeda acumulou baixa de 0,36%.

Na B3, às 17:13 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,06%, a 4,8915 reais.

Pela manhã, o dólar oscilava em alta ante o real a despeito de, no exterior, a divisa dos EUA ceder ante boa parte das demais moedas. Às 11h04, o dólar à vista marcou a cotação máxima de 4,9388 reais (+0,48%), com investidores aguardando a participação de Powell em evento, a partir das 13h.

Antes mesmo disso, o dólar começou a se enfraquecer ante o real, em meio a comentários do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em São Paulo.

Campos Neto afirmou que as expectativas de inflação implícitas nas operações do mercado mostraram uma pequena melhora. Porém, conforme o presidente do BC, com as variáveis conhecidas hoje, o ritmo de corte de 0,50 ponto percentual da taxa básica Selic segue sendo apropriado. Atualmente, a Selic está em 12,25% ao ano.

Profissional ouvido pela Reuters pontuou que o comentário de Campos Neto “confirmou” a fala do diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento na véspera, quando citou um cenário "mais benigno" para a inflação. Para Galípolo, há atualmente maior pressão do mercado para aceleração dos cortes de juros no Brasil. Porém, ele enfatizou a postura de cautela do BC diante das incertezas.

A perda de força do dólar ante o real se intensificou com os comentários de Powell. O chair do Fed observou que uma medida importante de inflação ficou em média em 2,5% nos seis meses até outubro, perto da meta de 2%, e que está claro que a política monetária nos EUA está desacelerando a economia como esperado, com uma taxa básica "bem em território restritivo".

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Os comentários foram considerados amenos -- ou dovish, no jargão do mercado -- e pesaram sobre o dólar em relação às demais divisas, incluindo o real.

“De manhã, as tesourarias de bancos aproveitaram para recompor posições (compradas) no mercado, porque acreditam que neste mês ainda haverá bastante saída de dólares. Assim, o dólar trabalhou em alta, mesmo com a divisa fraca lá fora”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

“Depois que o Powell falou, ocorreu uma acelerada da queda do dólar lá fora, e no Brasil a moeda se firmou em baixa”, acrescentou.

Às 15h35, já sob efeito da fala de Powell, o dólar à vista marcou a mínima de 4,8683 reais (-0,96%), com as cotações mais em sintonia com o recuo no exterior ante outras divisas fortes e ante moedas de emergentes e exportadores de commodities.

Às 17:13 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- caía 0,19%, a 103,250.

Pela manhã, o BC vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de fevereiro.

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