Investigadores dos EUA recuperam painel do jato 737 MAX; ações da Boeing afundam

SEUL/LONDRES/WASHINGTON (Reuters) - Autoridades dos Estados Unidos recuperaram um painel que se soltou de um avião da Alaska Airlines, desencadeando uma parcial paralisação dos Boeing 737 MAX 9 e fazendo as ações da fabricante de aeronaves despencarem nesta segunda-feira.

Uma tampa de porta se soltou na sexta-feira após a decolagem de Portland, Oregon, com destino a Ontario, Califórnia, despressurizando a aeronave e forçando os pilotos a retornarem.

O avião, com 171 passageiros e seis tripulantes a bordo, pousou em segurança.

A Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) ordenou no sábado a paralisação temporária de 171 jatos Boeing MAX 9 equipados com o mesmo painel, que pesa cerca de 27 kg e cobre uma porta de saída opcional.

O painel foi recuperado no domingo por um professor de Portland identificado apenas como "Bob", que o encontrou em seu quintal, no bairro de Cedar Hills, de acordo com a presidente do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NTSB, na sigla em inglês), Jennifer Homendy.

Ela disse que estava "muito aliviada" pelo objeto ter sido encontrado, chamando-o de "o componente-chave que faltava" para determinar a causa do acidente.

"Nossa equipe de estruturas vai querer examinar tudo na porta -- todos os componentes da porta para ver, observar marcas, analisar qualquer transferência de tinta, qual era a condição da porta quando foi encontrada. Isso pode fornecer muitas informações sobre o que aconteceu," afirmou ela.

As ações da Boeing caíam cerca de 8% no mercado norte-americano nesta segunda-feira, conforme investidores digeriam o mais recente revés para a fabricante de aeronaves.

O incidente ocorre em um momento em que a Boeing e o fornecedor Spirit AeroSystems, responsável pelo painel, enfrentam desafios na produção que têm prejudicado a recuperação de uma anterior e prolongada paralisação de segurança do 737 MAX, bem como uma interrupção mais ampla devido à pandemia.

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A FAA disse no domingo que a frota afetada de aviões Boeing MAX 9, incluindo aqueles operados por outras companhias aéreas, como a United, permanecerá em terra até que o regulador ateste que os jatos são seguros.

Dos 171 aviões abrangidos pela determinação, 144 estão em operação nos EUA, conforme dados da empresa de análise de aviação Cirium. Turkish Airlines, Copa Airlines do Panamá e Aeromexico afirmaram que estão paralisando os jatos afetados.

(Reportagem adicional de Tim Hepher em Paris, Valerie Insinna em Washington e Stanley Widianto em Jacarta)

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