EUA estão próximos da meta de inflação, mas não devem se apressar, diz diretor do Fed

Por Howard Schneider e Ann Saphir

WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos estão próximos da meta de inflação de 2% do Federal Reserve, mas o banco central norte-americano não deve se apressar em cortar sua taxa básica de juros até que esteja claro que a baixa da inflação será sustentada, disse o diretor do Fed Christopher Waller nesta terça-feira.

Independentemente de quando os cortes nos juros começarem, Waller afirmou que eles devem ser feitos de forma "metódica e cuidadosa", e não por meio de reduções grandes e rápidas, como as usadas quando o Fed está tentando salvar a economia norte-americana de um choque ou de uma recessão iminente.

"O principal é que a economia está indo bem. Ela está nos dando a flexibilidade para agir de forma cuidadosa e metódica. Podemos ver como os dados estão chegando, ver se o progresso está sendo sustentado", disse Waller em comentários em uma discussão online organizada pela Brookings Institution.

"A pior coisa que poderíamos fazer é reverter tudo depois de já termos começado a cortar. Nós realmente queremos ver evidências de que esse progresso... nos dados reais e nos dados de inflação. Acredito que isso acontecerá".

Os comentários de Waller contrariaram as expectativas do mercado de que o Fed começará a cortar os juros em sua reunião de março e reduzirá talvez 1,5 ponto percentual da taxa básica até o final do ano. Depois das falas, operadores reduziram as apostas de que o banco central reduziria em março os custos de empréstimos, que são mantidos na faixa atual de 5,25% a 5,5% desde julho.

A próxima reunião do Fed será nos dias 30 e 31 de janeiro.

"Com a atividade econômica e os mercados de trabalho em boa forma e a inflação gradualmente em queda para 2%, não vejo razão para agir tão rapidamente ou cortar tão rapidamente como no passado", disse Waller, contrariando as expectativas do mercado de que o Fed começará a reduzir os custos de empréstimos na reunião de março e poderá reduzir 1,5 ponto percentual dos juros até o fim do ano.

Desde de julho o Fed trabalha com uma taxa básica na faixa de 5,25% a 5,5%.

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Os dados recentes "são quase tão bons quanto podem ser" para o banco central, com o crescimento econômico desacelerando gradualmente, a taxa de desemprego permanecendo baixa e indicadores importantes de inflação atingindo a meta de 2% do Fed nos últimos seis meses, disse Waller.

O diretor é um dos principais arquitetos do aperto monetário agressivo do Fed, mas agora concorda que o momento para cortes provavelmente está se aproximando.

"Os dados que recebemos nos últimos meses estão permitindo que o Comitê (Federal de Mercado Aberto) considere a possibilidade de cortar a taxa básica de juros em 2024", disse Waller, em evento da Brookings Institution.

Entretanto, ele advertiu que, até que passe qualquer risco de que a inflação ressurja ou que as tendências recentes se revertam, as mudanças na política monetária devem "ser cuidadosamente calibradas e não apressadas".

"Estou cada vez mais confiante de que estamos a uma distância próxima de atingir um nível sustentável de 2% de inflação do índice PCE. Acho que estamos perto", disse Waller, referindo-se ao índice que o Fed usa para definir sua meta de inflação.

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