PF deflagra 1ª operação do ano contra garimpo ilegal na Terra Yanomami

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - A Polícia Federal deflagrou nesta semana a 14ª operação para combater o garimpo legal e outros crimes ambientais na Terra Indígena Yanomami desde o inicio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu o cargo decidido a ampliar os esforços para combater a criminalidade na região, que enfrenta uma grave crise humanitária.

Segundo dados do diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire, repassados à Reuters, as 13 operações anteriores na área Yanomami levaram à apreensão de 589 milhões de reais em bens e recursos, com 179 prisões em flagrante, 20 prisões preventivas e outras quatro temporárias.

A nova operação da PF na maior reserva indígena do país, em Roraima, na fronteira com a Venezuela, é a primeira de 2024 e ocorre após o governo Lula ter lançado um novo plano com investimento de 1,2 bilhão de reais para enfrentar uma crise humanitária na região.

Segundo comunicado do órgão, a ação conta com o apoio das Forças Armadas e é resultado do cumprimento de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a intensificação de ações de combate a crimes praticados dentro de territórios indígenas.

Imagens repassadas pela PF de Roraima mostram a apreensão de armas, munições, coletes, radiotransmissores e outros equipamentos usados na atividade criminosa.

Em entrevista à Reuters na semana passada, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que todo o peso do Estado precisa estar presente no Território Indígena Yanomami para expulsar definitivamente os garimpeiros ilegais, ressaltando que apenas a presença da corporação na localidade não é suficiente.

O Território Yanomami, uma área do tamanho de Portugal, tem sido invadido por garimpeiros há décadas, mas as incursões mais destrutivas se multiplicaram nos últimos anos, especialmente depois que o então presidente Jair Bolsonaro desmantelou os esforços de proteção ambiental.

A mineração ilegal e o desmatamento exacerbaram uma crise humanitária no território, marcada por desnutrição e doenças como malária, além de abusos sexuais. Os rios foram poluídos e os peixes envenenados pelo mercúrio utilizado pelos garimpeiros, enquanto a fauna de que os yanomami dependem desapareceu.

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