Juro futuro sobe em reação a Copom e alta de título do Tesouro dos EUA

Os juros futuros fecharam em alta na BM&F, refletindo o avanço das taxas dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) e a postura ainda cautelosa do Banco Central brasileiro no comunicado da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira, que levou os investidores a reduzir as apostas em corte maior da Selic. Ontem, a taxa básica caiu 0,25 ponto percentual, para 13,75%.

Apesar da fraca atividade econômica, o ambiente de maior incerteza no exterior e a crescente preocupação com o cenário político local geram dúvidas sobre o espaço para o BC acelerar o ciclo de corte de juros já na próxima reunião de janeiro. A incerteza sobre a duração do "interregno benigno" no cenário externo foi destacado no comunicado do Copom como um fator de risco para a inflação. Essa postura mais cautelosa da instituição acabou provocando uma zeragem de posições no mercado futuro de juros por parte dos investidores que estavam apostando em queda maior da taxa.

O DI para janeiro de 2018 subiu de 12,06% para 12,27%, enquanto o DI para janeiro de 2019 avançou de 11,57% para 11,92%. O DI para janeiro de 2021 aumentou de 11,76% para 12,22%.

Para o economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Alves Melo, o comunicado do Copom flexibilizou as condições para a aceleração do ciclo de afrouxamento monetário reconhecendo uma melhora no processo de desinflação e uma recuperação mais lenta que a esperada da atividade. "A não ser que haja algum revertério no cenário externo, que aumente a volatilidade do câmbio, achamos que o Banco Central vai acelerar o ciclo de corte de juros para 0,50 ponto percentual em janeiro."

A Icatu está com uma projeção de 11,25% para a Selic para o fim de 2017. Melo destaca que a projeção de inflação para o ano que vem na Pesquisa Focus está em 4,9%, considerando uma taxa Selic em 10,75% ao fim do período. "Talvez o tamanho do ciclo de afrouxamento monetário não seja tudo isso que a Focus está sugerindo, mas a queda das projeções de inflação para 2018, tanto no cenário de mercado como no de referência, ampliam o espaço para um aumento do corte de juros", diz.

A incerteza no cenário externo, especialmente após a vitória de Donald Trump na eleição presidencial americana, tem elevado a pressão de alta no câmbio. "O impacto para a inflação depende de quanto e de onde o câmbio vai parar. Se o dólar ficar mais próximo do patamar de R$ 3,40 antes da reunião de janeiro, acho que há uma chance plausível de o BC acelerar o corte de juros para 0,50 ponto. Esse, por enquanto, é nosso cenário-base", afirma.

Apesar da evolução favorável do ajuste fiscal até aqui, profissionais questionam se a recente escalada dos problemas políticos - com queda de dois ministros do governo Temer, embate entre Legislativo e Judiciário, ruídos com a base aliada e temores relacionados a futuras delações de executivos da Odebrecht - pode atrasar a discussão da reforma da Previdência. Além disso, a PEC dos gastos ainda precisa passar por nova votação no Senado.

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