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Juros futuros de longo prazo têm maior alta em 1 semana

Os juros futuros tiveram uma nova rodada de alta nesta quarta-feira, a mais intensa em uma semana para as taxas de longo prazo, num movimento ditado pela combinação entre firmes altas dos "yields" (retorno aos investidores) globais e estresse no câmbio doméstico.


O gatilho foram números do mercado de trabalho privado nos EUA. Houve em fevereiro geração líquida de 298 mil postos de trabalho, bem acima dos 188 mil previstos por analistas consultados pelo "The Wall Street Journal". Os dados do "payroll" saem na sexta-feira.


A robustez dos dados fortaleceu apostas em alta de juros nos EUA já neste mês, o que turbinou o dólar e levou o juro do Treasury (títulos do Tesouro americano) de dois anos a bater uma nova máxima em sete anos e meio. A probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual do juro básico americano neste mês subiu a 86,4%, ante 81,9% da véspera, segundo dados da Bolsa Mercantil de Chicago (CME, na sigla em inglês).


No Brasil, o salto do dólar para R$ 3,18, nas máximas em seis semanas, sustentou o viés de compra de DIs. Além dos fatores externos, o câmbio local teve de lidar com ruídos locais sobre mudança na alíquota de IOF sobre operações de câmbio, negada pelo Banco Central posteriormente.


A contaminação à renda fixa se deu pelo aumento da percepção de risco. Segundo relatos, investidores estrangeiros estariam questionando ativamente em "chats" com bancos locais sobre os rumores em torno do IOF.


Segundo um operador, o mercado de juros mostrou conservadorismo extra ainda por afirmações do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, levadas a público na segunda-feira."Quem quis entender que o BC não reforçou corte de 1 ponto agora, entendeu", diz o operador.



Durante evento promovido pela Universidade Hebraica de Jerusalém, no qual recebeu o Prêmio Scopus 2017, Ilan disse que o patamar atual de taxa de juros real é "baixo do ponto de vista histórico". Ilan reiterou que uma "possível" queda da taxa de juros ao longo do tempo dependerá de avanços que levem à diminuição da taxa estrutural de juros da economia.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro de 2018 - que reflete apostas para a política monetária ao longo de 2017 - ia a 10,245% ao ano, ante 10,220% no ajuste anterior.


A probabilidade de corte de 1 ponto percentual da Selic em abril caiu a 41%, ante 45% no fechamento da véspera.


Na ponta intermediária, o DI janeiro de 2021 subia a 10,110%, contra 10,010% no ajuste da véspera. Na máxima, foi a 10,150%, 13 pontos-base acima do fechamento de ontem. É a maior alta intradia desde 2 de março, quando esse DI chegou a subir 14 pontos durante os negócios.


(Colaborou Lucinda Pinto)

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