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Dúvidas a respeito das reformas geram impacto sobre dólar e juros

O sinal de alerta com as reformas se intensificou nesta quinta-feira (23) e os investidores ampliaram as posições defensivas no mercado cambial. Diante de incertezas sobre o apoio parlamentar do governo, o dólar registrou nesta manhã a maior valorização frente ao real em duas semanas, ao subir mais de 1%. O ambiente doméstico, inclusive, conduz a moeda brasileira ao pior desempenho ante uma cesta de 33 divisas globais.


Às 13h46, o dólar comercial avançava 1,10%, cotado a R$ 3,1302, na máxima da sessão.No mercado futuro, o dólar para abril subia 1,41%, a R$ 3,1390, com pico em R$ 3,1495 (+1,74%).


As dúvidas em torno do suporte parlamentar do governo aumentaram com a votação do projeto de lei que trata da terceirização. A medida foi aprovada na Câmara na noite de quarta-feira e tira restrições desse regime trabalhista, como queria o Planalto. No entanto, o placar de 231 votos a favor e 188 contrários trouxe desconforto para profissionais do mercado, que esperavam uma diferença mais ampla. Além disso, o resultado fica aquém dos 308 votos necessários para aprovação da PEC da reforma da Previdência.


A frustração com o placar soma-se a alguns ruídos políticos que permeiam o noticiário dos últimos dias, como a retirada de servidores estaduais e municipais da reforma da Previdência.


"Essa concessão poderia ter trazido mais capital político para o governo, mas a votação (da tercerização) na Câmara não foi tão favorável", diz o operador de uma corretora nacional.


Ontem, o governo informou que existe um rombo de R$ 58,2 bilhões no Orçamento de 2017 e sinalizou que poderá aumentar impostos em breve. Entre os possíveis tributos, estaria a cobrança de IOF em operações de câmbio.


Juros


As dúvidas sobre as reformas alimentam o prêmio de risco exigido na renda fixa. Os juros futuros avançam desde a abertura e intensificam os ganhos ao longo da sessão, enquanto os investidores avaliam sinais de alerta para o apoio do governo no Congresso.


"O placar apertado do projeto de terceirização na Câmara com algumas dissidências da base aliada traz preocupação, porque pode prejudicar votações futuras", diz Thiago Castellan Castro, na corretora Renascença.


Às 13h57, o DI janeiro de 2021 subia a 10,070%, ante 9,990% no ajuste anterior e o DI janeiro de 2019 exibia 9,590%, de 9,530%. O DI janeiro de 2018 marcava 9,985%, de 9,955%. O movimento no câmbio, com o avanço do dólar ante o real, também contribui para a alta nas taxas de juros.


Hoje, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reiterou que, se for necessário elevar impostos, será o menor aumento possível. Ele destacou ainda não haverá mudança na meta fiscal e que até quarta-feira anuncia o contingenciamento.


Ibovespa


O Ibovespa tem leve baixa nesta quinta-feira de cautela em relação às medidas do governo Temer para reanimar a economia.


O adiamento do anúncio do corte de gastos do governo, que deveria ter sido feito ontem e foi reagendado para terça-feira (28), a expectativa de aumento de impostos e a vitória apertada de Temer na votação da lei da terceirização fazem os investidores desanimarem um pouco quanto à velocidade de retomada da economia brasileira.


O principal índice da bolsa de valores brasileira se mostrava instável às 14h01, com leve alta de 0,15%, para 63.618 pontos, depois de avançar no período da manhã, quando oscilou do nível mínimo de 62.840 pontos ao máximo de 63.733.


Entre as ações de maior peso no Ibovespa, a Vale tinha um dos piores desempenhos: o papel PNA perdia 1,82%, a R$ 27,47, seguindo queda do setor em nível global. A holding Bradespar, que tem entre os seus principais investimentos a mineradora e a CPFL, caía 2,01%. No horário, as maiores quedas pertenciam a Gerdau Metalúrgica PN (-2,96%), Cosan ON (-2,39%) e Usiminas PNA (2,38%).


"Havia um otimismo exagerado de que seria muito fácil passar essas medidas, mas toda reforma demanda tempo e negociação", diz Hersz Ferman, analista da corretora Elite no Rio de Janeiro. "Nada que afete as expectativas de longo prazo, mas no curto continuamos sujeitos a volatilidade."


Entre as maiores valorizações do horário estão Marfrig ON (2,88%), TIM ON (2,39%), Lojas Americanas PN (2,18%), Suzano PNA (2,14%) e Cielo ON (2,07%).

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