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Delator da Odebrecht relata ao TSE propina de R$ 35 milhões em um dia

Interrogado no processo de investigação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-executivo da Odebrecht e integrante do departamento de propina da empresa, Fernando Migliaccio da Silva, afirmou que chegou a entregar R$ 35 milhões em um único dia. Ele confessou ser o responsável por entregas em dinheiro vivo do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.


No depoimento ele contou que trabalhava com um "conceito de segurança" alinhado com todos os operadores. "Desde o doleiro até o entregador final, da gente não fazer nada acima de R$ 500 mil", explicou.


Mas, segundo o delator, "devido à pressão e à demanda, teve um dia em que eu fiz [pagamentos de] R$ 30 milhões. Então, a gente dividia em [lotes] tranches para não passar de R$ 500 mil", disse. "O meu recorde é de R$ 35 milhões em um dia", afirmou ao ministro do TSE, Herman Benjamin, relator da ação.


Migliaccio esclareceu que combinava os pagamentos com Mônica Moura, mulher do marqueteiro da campanha de Dilma e Temer em 2014, João Santana. Ambos tiveram delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O delator também explicou que os destinatários dos pagamentos eram identificados por codinomes.


"Feira é Mônica Moura. Mônica ia, muitas vezes, ao escritório(...) Quando eu fui tesoureiro da Odebrecht S.A eu consegui que viesse para São Paulo, e tinha lá em Salvador. O Hilberto [Mascarenhas, da Odebrecht] me passou a relação com a Mônica Moura. Como ele está sempre em Salvador e a Mônica está mais em São Paulo, então ele falou: 'você, por favor, atenda'. E eu atendia. E eu sempre combinava os valores com ela", disse.


Indagado pelo juiz auxiliar do TSE Bruno Lorencini sobre os valores exatos pagos ao casal de marqueteiros, Migliaccio não soube precisar.


"Excelência, eu sei que foram muitos milhões [de dólares], mais de... Não sei, não posso, porque não foram só esses anos; teve anos anteriores. Mas 2013 e 2014, foi da ordem entre quinze e vinte milhões. Não posso precisar".


Migliaccio afirmou ainda que a campanha de Dilma e Temer recebeu R$ 16 milhões de reais do setor de propina da Odebrecht em 2014, dos quais "grande parte" foi paga no Brasil, de acordo com o delator.


O ex-executivo disse também que não tinha como distinguir qual dinheiro foi pago em caixa dois, e qual foi entregue a título de propina.


"Não, não tinha porque realmente as pessoas não me falavam, exceto, por exemplo, uma conversa dessa com Mônica, ela falava: 'isso é campanha da presidente'. Isso é claro, mas os outros, realmente é mais difícil. É engraçado que é difícil de (...) de fato, milhões e milhões foram dados a troco de nada. Sem benefício, para o futuro".

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