Juros futuros curtos cedem com expectativa de mais cortes da Selic

Os juros futuros mais associados à política monetária recuaram nesta quarta-feira, em meio ao entendimento de que o Banco Central se mantém a caminho de intensificar o ciclo de distensão monetária, a despeito de ruídos recentes de ordem política.


Analistas citaram ao longo do dia declarações dadas ontem pelo diretor de Política Econômica do BC, Carlos Viana. Em evento em São Paulo, ele destacou que uma eventual redução da meta de inflação para 2019 de 4,50% para 4,25% faria as expectativas convergirem imediatamente para esse ponto. Viana disse também que as condições para o debate sobre mudança da meta estão dadas, como a ancoragem das expectativas para os preços. O diretor reiterou que a desinflação tem se mostrado mais disseminada e que as condições permitem flexibilização das condições monetárias.


No geral, analistas entenderam que as palavras de Viana serviram de apoio a apostas não só de aceleração da queda dos juros como também de que o BC não enxerga empecilhos para dar sequência ao ciclo de alívio monetário.


Em meio a isso, investidores comentaram a correção, pelo BC, das projeções do IPCA trazidas pelo Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Operadores afirmaram ser improvável que apenas a mudança das projeções tenha ditado queda dos juros de mercado e da inflação implícita em papéis públicos. Mas reconheceram que ambos os fatores fizeram preço no mercado de DI nesta quarta-feira.


O BC corrigiu ontem erro operacional no cálculo das projeções de inflação nos cenários que consideram trajetória constante para a taxa de juros. A instituição passou a considerar IPCA de 3,3% em 2018, ante taxa de 4% na divulgação anterior no cenário de Selic e câmbio constantes. No cenário híbrido (taxa de câmbio da pesquisa Focus e Selic constante), o prognóstico para a inflação de 2018 caiu de 4,2% para 3,5%. Também foram reduzidas as estimativas para o IPCA de 2017 nesses dois cenários.


No cenário de mercado - que considera tanto Selic quanto câmbio da pesquisa Focus -, porém, a previsão para 2018 foi mantida em 4,5%. O BC passou a dar mais peso a esse cenário em momentos de ciclo de alívio monetário.


"É mais subsídio para o mercado pedir corte de juros", diz um operador.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro de 2018 caía a 9,760% (9,805% no ajuste anterior). O DI janeiro de 2019 cedia a 9,430% (9,440% no ajuste anterior).


O DI janeiro de 2021 tinha taxa de 9,800% (9,810% no ajuste anterior). Esse contrato sofreu mais influência na parte da tarde das altas dos juros dos Treasuries - títulos do Tesouro americano, após a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, BC dos Estados Unidos).

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