Dólar fecha em alta sem atuação do BC

Na contramão da clara melhora na renda fixa, o mercado de câmbio chega ao fim da tarde com investidores mais inclinados a proteger suas carteiras. Apesar de renovadas esperanças sobre o andamento das reformas, os agentes reagiram à "falta" de liquidez nova do Banco Central, que não realizou oferta líquida de swap cambial nesta sessão.


No fechamento desta quarta-feira, o dólar comercial subiu 0,37%, a R$ 3,2788. No mercado futuro, em que os negócios se encerram às 18h, o dólar para junho tinha alta de 0,14%, a R$ 3,2820.


Analistas dizem que o câmbio vive hoje uma situação oposta à que experimentou logo nos dias seguintes ao estouro da crise política. Já na quinta-feira, dia 18, o BC anunciou pesada intervenção, colocando o equivalente a US$ 4 bilhões no sistema via swaps cambiais tradicionais. Foi a maior injeção de dólares em apenas em quatro anos. Entre quinta e terça, as colocações somaram US$ 10 bilhões.


Enquanto os preços dos DIs disparavam, o câmbio não passou de R$ 3,4083. Mas a "calma" no mercado de moedas deixou os negócios nesse segmento com menos prêmio, especialmente após o BC não ter anunciado novas ofertas líquidas de swap. Nos juros, porém, o alto nível das taxas chamou atenção de estrangeiros, que novamente hoje aplicaram na curva de DI.


"Hoje, há uma sensação de que há mais prêmio nos juros do que no câmbio", diz o chefe de estruturação e vendas de derivativos do Bank of America Merrill Lynch, Nuno Martins.


Ainda assim, o dólar segue a alguma distância das máximas acima de R$ 3,40. O menor déficit em transações correntes, fluxos de exportação e a prontidão do BC para atuar em caso de necessidade ajudam a limitar a pressão sobre a moeda.


Comparado a outras divisas, porém, o real segue na contramão. A moeda brasileira registra a maior queda entre as quatro únicas divisas que ainda perdem frente ao dólar nesta sessão.


Outras moedas emergentes, como o peso mexicano, são destaque de valorização, após a ata menos "hawkish" do Federal Reserve (Fed, BC americano). O peso alcança hoje o maior patamar ante o dólar desde a eleição americana, no começo de novembro.

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