Desemprego mantém inadimplência em alta em junho, aponta CNC

A alta taxa de desemprego no Brasil ajudou a manter a inadimplência das famílias em patamar elevado em junho, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).


Nesta quinta-feira (29), a entidade anunciou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). No levantamento, que abrange entrevistas com 18 mil consumidores, 56,4% das famílias declararam-se endividadas em junho, percentual menor do que o de maio (57,6%); e de junho do ano passado (58,1%).


No entanto, entre os endividados, a fatia dos que admitiram contas em atraso foi de 24,3%, a maior desde setembro de 2016 (24,6%); e superior às taxas de maio (de 24,2%) e de junho do ano passado (23,5%). Além disso, entre inadimplentes, 9,6% reconheceram não ter condição de quitar seus débitos, fatia superior às de maio (9,5%) e de junho do ano passado (9,1%).


Para a economista da CNC Marianne Hanson, com o mercado de trabalho ainda a mostrar sinais preocupantes, com desemprego em taxa elevada e ritmo baixo de contratações, as famílias têm cada vez mais dificuldades em quitar seus débitos.


"Este indicador de inadimplência na pesquisa sobe há cinco meses consecutivos. A piora no mercado de trabalho tem sido determinante para o aumento", disse a técnica.


Como o mercado de trabalho não dá sinais visíveis de recuperação sustentável, a especialista diz ser possível que os indicadores de inadimplência no levantamento da CNC continuem a subir nos próximos meses. Ela ponderou que a diminuição de percentual de endividados é uma informação boa. Mas considerou que isto apenas reflete o contexto atual do mercado de crédito, com oferta mais restritiva; e a pouca capacidade das famílias de tomarem novos empréstimos, devido ao já elevado grau de endividamento.


No levantamento, a parcela média de renda comprometida com dívida das famílias ficou em 29,9% em junho, igual à de maio e abaixo de junho do ano passado, de 30,6%.


No entanto, a fatia de famílias endividadas que admitiram ter mais da metade da renda comprometida com empréstimos subiu de 20,9% em maio para 21,4% em junho.


Em junho, entre as modalidades de crédito mais citadas pelas famílias endividadas, o cartão de crédito ocupou novamente a primeira posição, sendo lembrado por 76,9% dos endividados, seguido por carnês (15,2%) e crédito pessoal (11,1%).

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