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Uruguai começa a vender maconha em farmácias

"O dia 19 de julho de 2017 ficará marcado no calendário como um dia histórico para o Uruguai e também para o mundo". Assim define o jornal uruguaio "El Observador" esta quarta-feira (19) em que farmácias do país começam a vender maconha para usuários previamente cadastrados.


O Uruguai se torna, portanto, o primeiro país do mundo a regulamentar o mercado da maconha desde a sua plantação até a venda.


Por enquanto, somente 16 farmácias firmaram contrato com o governo para a vender a droga às 4.959 pessoas que se inscreveram para comprar. Segundo dados oficiais, 70% dos inscritos são homens e 60% vivem na capital, Montevidéu. Entre os usuários autorizados, que se identificarão por suas digitais na hora da compra, 40% têm entre 30 e 44 anos, 30% têm mais de 45 anos e outros 30% possuem entre 18 e 29 anos.


Neste mercado que passa a funcionar sob a regulação do Estado uruguaio, soma-se ainda a presença oficial de 6.948 autocultivadores, pessoas autorizadas a cultivar a planta para consumo próprio, e 62 clubes canábicos onde está permitido o uso de maconha.


Os números, no entanto, ainda estão longe de atingir a perspectiva do governo, que em 2016 previa o cadastramento de 60 mil consumidores e, em um primeiro momento, a adesão de aproximadamente 50 farmácias dispostas a participar do processo para depois chegar a ao menos 100 pontos de venda.


A maioria dos proprietários de farmácias ainda mostram desconfianças quanto ao sucesso da iniciativa e esperam os primeiros resultados para aderir ao mercado canábico uruguaio. "À medida que funcione, não aconteçam erros e não prejudique a imagem institucional dos estabelecimentos, é possível que mais farmácias participem", disse à uma rádio local, Alejandro Antalich, vice-presidente de uma associação de farmácias do país.


A venda legal de maconha no Uruguai iniciada nesta quarta-feira é resultado de uma lei aprovada em 2013, durante o governo do ex-presidente José Mujica, e que finalmente entra em vigor depois de alguns adiamentos. A medida foi defendida pelo governo como uma forma de combater e reduzir a violência gerada pelo tráfico de drogas.


Com a legalização, o Estado passa a regular e controlar o mercado da maconha no país e entrega a produção e a distribuição para somente duas empresas, Simbiosys e Iccorp, que venceram a licitação do processo que autoriza a produção com um limite de duas toneladas por ano. Pela lei, o Estado não obterá lucro com o processo e receberá rendimentos apenas para manter o funcionamento do Instituto de Regulação e Controle de Canabis (IRCCA).


A maconha vendida legalmente nas farmácias terá somente 2% de tetrahidrocannabinol (THC), o componente psicoativo da droga, o que gera dúvidas sobre a eficácia da iniciativa, já que as variações mais fortes concentram aproximadamente 20% de THC. O temor é que usuários habituais descartem a alternativa.


Por outro lado, a expectativa do governo e dos defensores da venda legalizada lembram que os consumidores com essas características têm a opção do autocultivo ou os clubes canábicos que já operam no país.

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