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Investidor embolsa lucro com risco de conflito geopolítico e bolsa cai

Um possível conflito armado entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte trouxe cautela aos mercados financeiros globais e aumentou a procura por ativos considerados seguros. A bolsa de valores brasileira, que vinha aproveitando o aumento do interesse dos investidores estrangeiros por ativos mais rentáveis, caiu 0,34% aos 67.671 pontos, em um pregão com fraco giro financeiro, de R$ 4,8 bilhões, abaixo da média diária do ano, que é de R$ 6 bilhões.


Além disso, o fato de o governo não ter conseguido quórum para a leitura do relatório sobre a TLP (Taxa de Longo Prazo) que entraria no lugar da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) somada as discussões sobre a meta fiscal elevaram o receio entre os investidores. A leitura sobre o documento sobre a TLP foi adiada para o dia 15. A Medida Provisória precisa ser aprovada até o dia 6 de setembro para não perder a validade.


Ainda é prematuro avaliar quais os reflexos de um conflito geopolítico para o mercado de ações local. O movimento de queda hoje foi atribuído à realização de lucros, já que a bolsa ainda tem alta de 2,66% no mês e de 12,36% no ano. Para o estrategista Adeodato Volpi Netto, da Eleven Research, a iminência de um conflito não altera de maneira estrutural o cenário para o mercado acionário.


"O que vimos hoje foi uma alteração de humor que abriu espaço para investidores reposicionarem suas alocações e realizar lucros recentes, mas sem significar qualquer mudança de tendência", diz. Ele considera que caso haja um conflito, o preço das commodities tenderia a subir com a maior procura por produtos básicos o que poderia favorecer o Ibovespa. "No longo prazo, um conflito de proporções globais não é bom para ninguém, mas não vemos esse risco agora. A ameaça mexe com o mercado por conta das expectativas, não mais do que isso", diz.


O diretor de operações da Corretora Mirae, Pablo Spyer, diz que para avaliar o efeito de um possível conflito para o mercado brasileiro vai ser preciso analisar o quão forte será a busca dos investidores por ativos seguros - flight to quality. "Aparentemente, caso os Estados Unidos subam o tom das conversas com a Coreia do Norte poderemos ver uma realização de lucros nas bolsas americanas, que ainda seguem nas máximas históricas. De qualquer forma, isso diminui o apetite para riscos de maneira geral. Não só no Brasil, mas em qualquer lugar", diz.


Apesar da incerteza global, o estrategista da XP Investimentos, Celson Plácido, não alterou a recomendação para a bolsa de valores. "Ainda temos um cenário externo favorável e o interno melhorando. O risco de um conflito continuará no radar, mas acreditamos que será reduzido no decorrer do tempo, com uma participação maior da China na resolução do conflito", diz.


A maior apreensão global também fez aumentar a volatilidade da bolsa brasileira. O índice CBOE Brazil ETF Volatility, que mede a volatilidade implícita do iShares MSCI Brazil Capped ETF, composto por ações brasileiras, subiu 3,02% para 25,94 pontos. Apesar da alta de hoje, o índice ainda está longe dos 57,62 pontos, que foi atingido em 18 de maio, auge da crise política. Quanto maior o indicador, maior a instabilidade do mercado acionário.


As ações que mais caíram foram justamente as que tiveram as maiores altas nos últimos pregões. Os papéis da Gerdau Metalúrgica recuaram 3,56% - mas ainda têm alta de 12,92% no ano. As ações da Cemig caíram 2,93%, mas ainda sobem 14,85% no ano, e os papéis do Banco do Brasil que recuaram 1,85% ainda sobem 10,74% no ano. O banco divulga o resultado financeiro do segundo trimestre amanhã.


O receio de um conflito elevou a cotação do dólar, que subiu 0,72% para R$ 3,15. Com isso, as ações ligadas ao setor exportador tiveram alta no pregão de hoje. Os papéis da Embraer ganharam 1,80%, as ações da Suzano Papel e Celulose subiram 1,18% e da BRF tiveram alta de 1,21%.


Entre as ações mais negociadas do Ibovespa, as maiores altas foram da Equatorial, com ganho de 3,21%, e da Localiza, com valorização de 3,27%. A Equatorial divulgou o resultado financeiro do segundo trimestre na noite de ontem. Os dados mostraram que a companhia teve lucro líquido atribuído aos acionistas de R$ 127 milhões, uma queda de 28,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O Ebitda, entretanto, de R$ 395,9 milhões, superou as expectativas, o que explica a reação positiva do papel.


No caso da Localiza, o banco Santander elevou o preço-alvo para os papéis da empresa. O banco substituiu o preço-alvo de R$ 51 para o final deste ano pelo preço de R$ 58 por ação no final de 2018. De acordo com relatório produzido pelos analistas Bruno Amorim e Pedro Bruno e distribuído a clientes, o Santander elevou a estimativa de lucro líquido para 2018 em 14% e manteve a recomendação de compra para o papel. "Apesar do rali recente, temos uma expectativa de crescimento sólido e sustentável. A empresa deve consumir caixa nos próximos anos em virtude o seu forte crescimento, mas a nosso ver a empresa cria valor para os acionistas e deve continuar a fazer isso no futuro", escreveram.


Das principais ações que compõem o setor de commodities, os papéis PNA da Vale recuaram 1,64% e as ações ordinárias tiveram baixa de 0,41%, acompanhando a desvalorização do preço do minério de ferro na China. Já as ações da Petrobras subiram acompanhando a alta do preço do petróleo no mercado internacional. Os papéis preferenciais ganharam 0,22% e as ações ordinárias subiram 0,50%.

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