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Investidor embolsa lucro com Eletrobras e ação cai

O tom positivo provocado pela notícia de que o governo pretende privatizar a Eletrobras foi preservado nesta quarta-feira, a despeito da pressão por realização de lucros que se observa em alguns papéis. As ações da companhia elétrica devolvem parte dos ganhos de ontem, mas oscilam acima dos níveis registrados até segunda-feira, antes do anúncio. Já o Ibovespa, que chegou a perder os 70 mil pontos por alguns minutos, volta a subir e, às 13h20, estava em 70.346 pontos, alta de 0,48%.


A expectativa pela aprovação da TLP é outro elemento positivo para o mercado como um todo, inclusive para a bolsa.


Segundo operadores, embora haja uma série de incertezas envolvendo o processo de privatização da Eletrobras, a notícia de que o governo pretende abrir mão do controle da companhia fez com que a bolsa quebrasse uma barreira de precificação e tem impacto sobre a taxa de desconto da bolsa como um todo.


A leitura dos analistas é de que a intenção de desestatizar a Eletrobras precisa ser vista como uma "direção de política econômica", que aponta para a redução do Estado e também de maior autonomia e eficiência das estatais - razão pela qual esse bloco de ações disparou na bolsa.


Petrobras, particularmente, tende a manter-se no foco dos investidores porque o entendimento geral é de que a iniciativa de privatizar a Eletrobras é coerente com uma maior pressa por parte do governo resolver a disputa sobre a cessão onerosa. O mercado acredita que a petroleira pode receber algo entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões, o que não está no preço das ações por ora. "Faz todo o sentido o governo correr com esse assunto. E quando a cessão onerosa for resolvida, Petrobras vai voar", afirma um gestor.


Às 13h20, o papel ON da Petrobras subia 0,63% para R$ 14,40, enquanto Petrobras PN avançava 0,94%, para R$ 13,92.


Ainda assim, operadores alertam que, com a recente valorização, os preços ficam ainda mais esticados, o que traz alguma cautela nos movimentos de compra nos próximos dias.


No começo da tarde, Eletrobras seguia como a maior queda do índice: o papel ON perdia 6,70% e o PNB recuava 4,80%.


Na ponta positiva, Usiminas sobe 3,85%, seguida de Cemig PN (3,60%). Vale tem alta de 1,60%.


Dólar


Enquanto aguardam a votação da TLP no Congresso, os participantes do mercado de câmbio mantiveram o dólar bem próximo do nível de R$ 3,16 ao longo da manhã. O viés na moeda americana é de baixa e conta com ajuste ao salto observado no fim da tarde de ontem quando o atrito entre parlamentares aumentou pontualmente a incerteza sobre o futuro da medida.


A aprovação da nova taxa do BNDES consta no cenário de boa parte dos participantes do mercado. No entanto, a confiança já foi abalada em algumas ocasiões nas últimas semanas, sinalizando o potencial impacto nos ativos caso a medida não siga em frente. No final da tarde de ontem, por exemplo, o dólar e os juros futuros tiveram um pico de nervosismo quando se instaurou uma confusão entre parlamentares na comissão mista do Congresso.


A leitura da proposta ficou para hoje. No começo da semana, comentava-se que o governo previa 18 votos favoráveis à criação da TLP na comissão mista do Congresso. Depois dessa fase, a medida ficaria livre para seguir ao plenário da Câmara ainda nesta quarta-feira. A MP perde validade em 6 de setembro e tem de chegar ao Senado até a próxima semana.


A cada votação, o placar é avaliado sob o prisma do apoio parlamentar à agenda do governo, principalmente, ao seu desafio principal: a reforma da Previdência. "Se for adiada novamente, deve crescer a especulação sobre a falta de capacidade do governo de aprovar suas propostas, incluindo a mais difícil que é a reforma da Previdência", diz o operador Alessandro Faganello, da Advanced Corretora.


Por ora, a cena doméstica se sobressai ao exterior. A partir de amanhã, contudo, começa o seminário econômico do Federal Reserve de Kansas City em Jackson Hole. A presidente do BC dos EUA, Janet Yellen, faz pronunciamento na sexta-feira. Há pouca expectativa de grandes novidades sobre redução do balanço patrimonial ou aumento de juros, mas a cautela deve prevalecer até lá, principalmente, depois que voltaram as discussões sobre a agenda econômica de Donald Trump.


Um dos destaques negativos da sessão é a perda no peso mexicano. O movimento tem como pano de fundo a retomada das discussões sobre a construção de um muro na fronteira americana com o México e ameaças ao acordo comercial do Nafta.


Por aqui, às 13h20, o dólar comercial era cotado a R$ 3,1614, queda de 0,99%.O dólar futuro para setembro, por sua vez, caía 0,19%, a R$ 3,1625.


Juros


A perspectiva de aprovação da TLP no Congresso e o novo sinal de inflação baixa no país garantem, pelo menos por ora, o viés de baixa nos juros futuros. A tramitação da TLP é um tema acompanhado de perto e, nas últimas semanas, houve até o receio de que o governo poderia ter desistido da medida. Devido à importância atribuída à iniciativa, do lado fiscal e de política monetária, cada obstáculo enfrentado entre os parlamentares foi respondido com aumento do prêmio pontual na renda fixa.


O DI janeiro/2018 recua a 7,970% (8,025% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 cai a 7,940% (8,040% no ajuste anterior).

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