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Joesley ofereceu a Funaro R$ 100 milhões em troca de silêncio

A denúncia apresentada nesta quarta-feira pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer e o "quadrilhão do PMDB na Câmara" afirma que o empresário Joesley Batista, da JBS, ofereceu R$ 100 milhões a Lúcio Funaro para o doleiro manter-se em silêncio. O acordo de Joesley com o operador do ex-deputado Eduardo Cunha previa uma espécie de pagamento mensal no valor de R$ 600 mil e, em alguns meses, de R$ 400 mil. Em troca, o doleiro deveria se comprometer a não firmar acordo de colaboração premiada nem falar nada aos investigadores da Operação Lava-Jato que pudesse comprometer o empresário.


Segundo a denúncia, o PMDB da Câmara "gestou vários planos e ações para obstrução da Operação Lava-Jato". O grupo temia que Funaro delatasse o esquema de desvio de recursos que beneficiava os pemedebistas, já que era um dos operadores financeiros. Em razão desse temor, Joesley firmou o "pacto de silêncio" com Lúcio, antes de o doleiro ser preso.


No acordo, ficou estabelecido que o pagamento de recursos seria feito diretamente a Funaro ou a pessoas próximas a ele. Após a prisão do doleiro, em julho do ano passado, foram entregues R$ 1,2 milhão a Dante Funaro e R$ 2,8 milhões a Roberta Funaro, irmãos de Lúcio. A denúncia afirma que o pagamento era para "mantê-lo "tranquilo, no sentido de não tomar nenhuma medida contra os interesses de Joesley Batista e seu grupo de apoio político do PMDB".


Segundo a PGR, nesse período de encarceramento, o ânimo de Lúcio em cumprir o pacto de silêncio era constantemente monitorado não só por Joesley, mas também por integrantes do governo do presidente Michel Temer, "um dos líderes da organização criminosa com atuação na Câmara dos Deputados". Entre as pessoas que acompanhavam de perto estavam o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil).


Os contatos de Geddel e Padilha, de acordo com a denúncia, eram feitos com a mulher e outros parentes de Funaro. O doleiro enviava mensagens "tranquilizando" Joesley e chegou até mesmo a enviar um bilhete dentro de uma caneta esferográfica, por meio de Roberta, sua irmã.


A denúncia afirma que, em 7 de março, Joesley se encontrou com Temer, novamente descrito como "líder da organização criminosa do PMDB da Câmara", para tratar do "silêncio" de Funaro e de Eduardo Cunha. "Havia certa preocupação de Joesley Batista porque o saldo de vantagem indevida, acima referido, outrora pactuada com Lúcio Funaro, estava se esgotando, após prolongado pagamento em parcelas mensais", diz a PGR. "Mais claramente ainda, Joesley Batista informa, em declarações, que o motivo principal da conversa com Michel Temer era obter sua opinião acerca da necessidade de continuar efetivamente o pagamento a Eduardo Cunha e a Lúcio Funaro para mantê-los em silêncio."

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