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Juros futuros caem, com perspectiva de continuidade de baixa da Selic

Os juros futuros registram queda nesta quinta-feira. Ainda há cautela entre os investidores, principalmente, sobre a cena política. No entanto, o mercado trabalha com uma perspectiva um pouco melhor para recuperação da economia e para a disputa eleitoral de 2018. Com isso, ganha força a leitura de que o caminho da Selic é para baixo, onde deve permanecer por algum tempo.


No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2018 recuava a 7,600% (7,625% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 caía a 7,530% (7,590% no ajuste anterior). O DI janeiro/2021 cedia a 8,940% (9,010% no ajuste anterior), enquanto o dólar comercial tinha queda de a 0,57%, a R$ 3,1201.


A queda de juros futuros aponta para redução do prêmio embutido nos prazos mais curtos. A diferença do DI janeiro de 2019 e o DI janeiro de 2018 - que reflete as apostas para política monetária no ano que vem - adentra o território negativo e marcou -0,070 ponto percentual, ante -0,010 ponto no fechamento de ontem. Se mantida a pontuação até o fim do dia, será a maior queda em uma semana, pouco antes da decisão do Copom.


O prêmio nesse trecho ainda parece elevado, principalmente se comparado às projeções de analistas para a Selic. As apostas indicam que a taxa deve cair até cerca de 7,25% no fim do atual ciclo e já subiria para perto de 8% em 2018. "Esse prêmio é que está sendo demandado pelo mercado", diz. "A visão é que a Selic deve ir para 7% e ficar neste a nível até o fim do ano que vem", acrescenta.


Parte do prêmio vem da disputa eleitoral e dos riscos políticos. No entanto, vai se formando um cenário mais favorável na perspectiva do mercado. Isso porque a situação do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) teria ficado menos confortável para uma disputa presidencial. "Abre uma oportunidade excepcional para o ano que vem", diz Paulo Petrassi, sócio e gestor na Leme Investimentos.


A diferença de prazos maiores também caiu nesta quinta-feira. Entre o DI janeiro de 2023 e o DI janeiro de 2019, recuou a 2,04 ponto, ante 2,06 ponto na véspera. A pontuação indica o prêmio exigido pelos investidores para se posicionarem em trechos mais longos da curva.


Petrassi prefere se manter na venda de taxas mais curtas, como DI janeiro de 2019, que refletem mais as perspectivas de que a Selic ainda deve cair. "Prefiro vender mais em janeiro 2019 do que ficar posicionado em janeiro 2021 ou janeiro 2023", descreve. "Tenho receio de avançar para os vencimentos mais longos porque pega muito o risco político e até externo", acrescenta.


A cautela é justificada pelos persistentes riscos ao presidente Michel Temer, como a prisão do ex-ministro Geddel Vieira, a delação do doleiro Lúcio Funaro e uma eventual denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ainda assim, a leitura de grande parte do mercado é que a iniciativa da Procuradoria não deve prosperar na Câmara.


No fronte econômico, a surpresa positiva com o resultado do IBC-Br de julho reforça a confiança na recuperação da atividade econômica. De acordo com analistas, o sinal vindo do indicador - considerado uma prévia do PIB - não chega afetar a leitura de que a Selic deve cair, mas reitera a mensagem deixada inicialmente pelo Comitê de Política Monetária (Copom): o ritmo de cortes deve desacelerar até o fim do ciclo.

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