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Juros futuros longos reforçam alta, com incertezas sobre reforma

O mercado de juros da BM&F voltou a mostrar fortes altas das taxas de longo prazo, que levaram os prêmios de risco nesta quinta-feira a novas máximas históricas. A cerca de uma hora e meia para o fim dos negócios, quase 1,8 milhão de contratos de DI já trocaram de mãos. Mantido esse ritmo, a quinta-feira será o pregão mais agitado nos juros desde o último dia 3 de novembro, quando 2,23 milhões de ativos foram negociados.


O pano de fundo para o movimento defensivo seguiu relacionado à incerteza sobre a reforma da Previdência, com declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fracassando em acalmar os ânimos dos agentes financeiros. A percepção do mercado é que fica cada vez mais difícil levar o texto da reforma para ser votado na Câmara já na semana que vem, devido à carência de votos suficientes para passar o projeto (308 mínimos).


É preciso lembrar, porém, que o último dia do mês tradicionalmente é destaque em volatilidade. A esticada do dólar a quase R$ 3,30 em apenas dois dias - com alta de 2% no período - colabora para a maior pressão nos juros, cujos vencimentos de longo prazo há tempos seguem fragilizados na esteira das dúvidas sobre a agenda de reformas do governo e do processo de alívio monetário conduzido pelo Banco Central.


Até por isso, alguns agentes questionam o espaço adicional para um movimento tão intenso de compra de taxa de juros e de dólar como o visto desde ontem.


De toda forma, o desconforto no mercado de juros nesta quinta-feira se manteve e foi piorado pelo ambiente internacional. Se ontem o exterior dava motivos para algum alívio aos juros, hoje a reação lá fora não ajudou. Os "yields" (retorno ao investidor) dos Treasuries, títulos do Tesouro americano - referência para a renda fixa global - operam em forte alta nesta quinta, pressionando emergentes e indicando aumento do custo do dinheiro - o que joga contra fluxo de capital para mercados em desenvolvimento. A taxa do Treasury de dez anos bateu 2,437% na máxima, pico em um mês.


Em meio a esse conjunto de fatores, investidores elevaram o prêmio exigido para aplicar em vértices mais longos de DI. Como resultado, por exemplo, o spread entre os DIs janeiro/2021 e janeiro/2019, por exemplo, subiu mais 9 pontos-base, depois do acréscimo de 7 pontos de ontem. A diferença alcançou 229 pontos-base, recorde para esses vencimentos.


A diferença entre os juros para janeiro/2023 e janeiro/2019 aumentou 11 pontos-base, para novo recorde de 319 pontos-base.Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2023 ia a 10,290% ao ano (10,190% no ajuste anterior).E o DI janeiro/2019 - mais associado à política monetária - caía a 7,100% (7,130% no ajuste anterior).


O DI janeiro/2020 subia para 8,460% (8,410% no último ajuste). E oDI janeiro/2021 avançava a 9,390% (9,330% no ajuste de ontem).

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