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Em dia de giro baixo, Ibovespa volta a subir

15/01/2018 14h50

Numa sessão de baixa liquidez por causa do feriado americano do Dia de Martin Luther King, comemorado nesta segunda-feira (15), a bolsa encontrou motivos para voltar a subir. Dados positivos de atividade e notícias corporativas dão fôlego às ações, embora operadores digam que a expectativa por uma agenda importante nos próximos dias inspire alguma cautela.


Às 13h30, o Ibovespa subia 0,37% para 79.654 pontos. Na máxima, tocou os 79.847 pontos.


Nesse horário, a maior alta era CPFL Energia ON (4,36%), em reação à expectativa de que a chinesa State Grid, controladora da companhia, terá que fazer uma nova oferta pública de aquisição de ações (OPA) para tirar a empresa do Novo Mercado.


As varejistas também mostram vigor. Iguatemi tem alta de 2,32%, puxada pelo resultado mais forte do que o esperado do IBC-Br, prévia do Produto Interno Bruto (PIB) mensal calculado pelo Banco Central, referente a novembro. O indicador subiu 0,49%, ante estimativa média de 0,44% colhida pelo Valor Data.


Para Fernando Barroso, head de mercado de capitais da CM Capital Market, embora a bolsa esteja operando em alta, há um sentimento de cautela permeando o mercado, que aguarda pelo julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Um placar dividido, de dois a um, poderia gerar uma correção da bolsa", afirma. Ele também chama a atenção para o risco de novos rebaixamentos por outras agências de rating, depois que a S&P cortou a nota do Brasil, de BB para BB-.


Hoje, a Moody's afirmou, em relatório, que o Brasil não deve conseguir cumprir a chamada "regra de ouro", o que pressionará o rating do país.


Entre as maiores quedas do horário estão Estácio (-0,85%) e Bradespar (-0,95%).


Câmbio


O cenário externo abre caminho para nova queda do dólar nesta segunda-feira. A moeda opera ao redor de R$ 3,20, angariando a quarta sessão consecutiva de queda.


Num dia de baixo volume de negócios por causa do feriado nos EUA, o bom humor no exterior dita o tom dos negócios no mercado local. Numa lista de 33 divisas globais, apenas seis perdem terreno ante o dólar. Os destaques positivos são o desempenho do peso mexicano e do dólar da Austrália, pares do real brasileiro.


Por volta das 13h40, o dólar comercial recuava 0,25%, a R$ 3,2055. Ocontrato futuro para fevereiro, por sua vez, cedia 0,22%, a R$ 3,1986.


O ambiente externo é favorável a ativos de risco, como os brasileiros. O cenário é caracterizado por sinais de crescimento sincronizado das principais economias globais, ao mesmo tempo em que os juros globais seguem baixos. Por outro lado, os especialistas apontam que a tendência do dólar é para cima.


Para o estrategista-chefe no Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, é uma questão de tempo para a inflação nos EUA começar a ganhar força e o Federal Reserve (Fed) apertar a política monetária. "E internamente, a chance de aprovação da reforma da Previdência é baixa e isso se soma à incerteza com as eleições", diz o especialista.


A importância dos eventos políticos daqui para frente, principalmente aqueles que afetam o cenário eleitoral, tornam as apostas para os ativos menos claras. O estrategista da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, estima que o dólar terminará 2018 entre R$ 3,30 e R$ 3,40. Ainda assim, deve ser observada grande volatilidade no meio do caminho.


Juros


Em dia de baixíssima liquidez, os juros futuros apontam para baixo. Os agentes financeiros aproveitam o feriado nos EUA e ausência de grandes catalisadores na cena local - que limitam o volume de negócios-para executar alguns ajustes ao longo da curva.


Os negócios se concentram em vencimentos curtos e intermediários, cujas taxas também mostram as quedas mais claras. Nas taxas curtas, o ajuste se dá após terem sido pressionadas pela reversão de apostas num ciclo de corte de juros mais extenso.


O DI janeiro de 2019 projeta taxa de 6,895%, ante 6,925% no ajuste anterior.Já o DI janeiro de 2020 recua a 7,990% ante 8,060% na mesma base de comparação.


O movimento é beneficiado pela queda global do dólar e a consequente valorização da moeda brasileira. "A apreciação do câmbio ajuda a consolidar a aposta de corte de juros em fevereiro, mesmo que uma queda mais agressiva da Selic já tenha sido descartada", diz o estrategista-chefe do banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno.


O cenário lá fora é caracterizado por sinais de crescimento sincronizado das principais economias globais, ao mesmo tempo em que os juros globais seguem baixos. "A inflação baixa dá subsídio para o Fed não precisar subir tão rapidamente os juros, mesmo com a nova política fiscal americana", diz o estrategista da Coinvalores, Paulo Nepomuceno.


Entre outros vencimentos, o DI janeiro/2021 cai a 8,830% (8,890% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2023 recua a 9,610% (9,640% no ajuste anterior).



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